Mesmo com dinheiro de Vorcaro, filme de Bolsonaro foi denunciado por condições precárias
As reclamações constam em um relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões
O filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, chamou atenção nesta quarta-feira (13) após a revelação de um investimento de R$ 61 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
Meses antes, porém, a produção havia recebido denúncias de comida estragada, alimentação insuficiente para longas jornadas de trabalho, atrasos de pagamento e revistas consideradas abusivas durante as gravações em São Paulo.
As reclamações constam em um relatório de dezembro do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP), ao qual o g1 teve acesso na íntegra. O documento reúne relatos de figurantes e técnicos envolvidos na produção do longa.
Na época, o relatório compilou 15 ocorrências formais registradas por trabalhadores por meio do canal de denúncias Reclame SATED. O material aponta que os relatos envolvem figurantes brasileiros, artistas com e sem registro profissional (DRT) e técnicos que participaram das filmagens de “Dark Horse” no estado.
No relatório, os denunciantes apontam diferença no tratamento entre o elenco estrangeiro e os figurantes brasileiros.
Enquanto a equipe principal tinha acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service, os figurantes recebiam apenas um kit lanche com pão com frios, uma maçã, uma paçoca e um suco. Segundo os relatos, a alimentação era insuficiente para jornadas superiores a 8 horas.
O documento também registra denúncias de fornecimento de comida estragada em 30 de outubro de 2025. Parte das reclamações chegou ao sindicato por mensagens de WhatsApp.
Outros relatos apontam atrasos nos pagamentos, cachês abaixo do padrão de mercado, contratação informal de figurantes por grupos de WhatsApp e pagamentos em dinheiro sem emissão de nota fiscal.
Os trabalhadores afirmaram ainda que alguns figurantes precisavam pagar R$ 10 pelo transporte até as gravações, valor que, segundo eles, era cobrado em dinheiro ou descontado do cachê ao fim da diária.
Ainda de acordo com o documento, trabalhadores denunciaram episódios recorrentes de assédio moral e condições precárias durante as gravações. Há também o relato de um figurante que afirmou ter sofrido agressão física no set. Segundo o sindicato, ele registrou um boletim de ocorrência e informou que faria exame de corpo de delito.
As denúncias também mencionam revistas pessoais consideradas invasivas. Segundo os relatos, seguranças faziam abordagens com toques em partes íntimas e nos seios dos figurantes logo na entrada das locações.
O relatório também menciona que a produção teria utilizado equipe técnica estrangeira sem recolher taxas obrigatórias previstas na Lei nº 6.533/78, que regulamenta as profissões artísticas e técnicas no setor audiovisual.
Segundo o documento, nem o SATED/SP nem o SINDICINE registraram pagamentos pela contratação desses profissionais. O sindicato também apontou a ausência de envio de contratos para obtenção do visto obrigatório das entidades sindicais.
O SATED/SP destacou no relatório que não faz acusações diretas contra a produção e que os relatos serão apurados pelas autoridades competentes, com garantia de contraditório e ampla defesa às partes envolvidas.
Procurada pelo g1 para comentar as acusações, a GOUP Entertainment, produtora de "Dark Horse", não respondeu.
As denúncias também mencionam revistas pessoais consideradas invasivas. Segundo os relatos, seguranças faziam abordagens com toques em partes íntimas e nos seios dos figurantes logo na entrada das locações.
O relatório também menciona que a produção teria utilizado equipe técnica estrangeira sem recolher taxas obrigatórias previstas na Lei nº 6.533/78, que regulamenta as profissões artísticas e técnicas no setor audiovisual.
Segundo o documento, nem o SATED/SP nem o SINDICINE registraram pagamentos pela contratação desses profissionais. O sindicato também apontou a ausência de envio de contratos para obtenção do visto obrigatório das entidades sindicais.
O SATED/SP destacou no relatório que não faz acusações diretas contra a produção e que os relatos serão apurados pelas autoridades competentes, com garantia de contraditório e ampla defesa às partes envolvidas.
Procurada pelo g1 para comentar as acusações, a GOUP Entertainment, produtora de "Dark Horse", não respondeu.
Na quinta-feira, a GOUP Entertainment negou que tenha recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.
"A GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário", disse a empresa.
A produtora também afirmou que "repudia tentativas de associação indevida entre a produção cinematográfica e fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual."
Orçamento milionário
O volume de recursos chamou atenção no setor audiovisual por superar produções brasileiras recentes com grande repercussão internacional.
“Dark Horse” recebeu mais que o dobro do orçamento de “O Agente Secreto”, longa dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, indicado ao Oscar de 2026 em quatro categorias.
De acordo com a Ancine, o filme teve orçamento de R$ 28 milhões, dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda.
Além das indicações ao Oscar, “O Agente Secreto” venceu os prêmios de melhor direção e melhor ator no Festival de Cannes. Ainda assim, o orçamento ficou muito abaixo do valor atribuído ao repasse de Vorcaro à produção de “Dark Horse”.
A diferença também gerou repercussão nos bastidores do setor, especialmente porque o longa sobre Bolsonaro ainda busca distribuição internacional. Em abril deste ano, o site Deadline informou que os produtores seguiam negociando a venda do projeto, apesar de especulações sobre uma possível estreia em setembro de 2026.
Dirigido por Cyrus Nowrasteh e escrito em parceria com Mark Nowrasteh, a partir de argumento de Mario Frias, o longa é descrito pelos produtores como um thriller político inspirado na campanha presidencial de 2018 e no atentado sofrido por Bolsonaro durante o período eleitoral.
O elenco reúne nomes como Esai Morales, Lynn Collins, Camille Guaty — que interpreta Michelle Bolsonaro — e Jeffrey Vincent Parise.
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