[Vídeo] “Perdi um filho, mas os outros quatro nunca preenchem”, desaba pai de Micael
Jogador da base do São Paulo foi assassinado no dia 1º de agosto, durante um torneio amador no Pontal da Barra
Micael Leandro da Silva tinha 15 anos e carregava desde criança o sonho de se tornar jogador de futebol. O adolescente, que fazia parte das categorias de base do São Paulo Futebol Clube, teve a vida interrompida no dia 1º de agosto, após ser baleado durante um torneio amador realizado no Pontal da Barra, em Maceió. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Treze dias após a morte do filho, o pai de Micael, Marcos Antônio, conversou com a reportagem do 7Segundos e falou sobre a dor de perder o adolescente. Para ele, além da saudade, fica a indignação e o pedido para que os responsáveis sejam encontrados. “Era um bom filho, bom irmão, bom amigo. Só sabia o que ele tinha, não era dele não. Ele gostava de vestir bermuda boa, roupa boa. Às vezes comprava uma bermuda e nem usava, dava para um amigo dele”, relembrou o pai.
Marcos contou que conhece a região onde mora há décadas e afirmou nunca ter tido inimigos. Segundo ele, criar os filhos em uma área de periferia nunca foi uma tarefa fácil, mas sempre buscou ensinar aos cinco filhos valores de respeito e honestidade. “Eu moro aqui há 56 anos. Nasci, me criei aqui. Não tenho um inimigo. E criar um filho aqui na periferia não é fácil. Eu criei cinco filhos, todos pessoas de bem, humildes”, afirmou.
Desde pequeno, Micael demonstrava paixão pelo futebol. O pai lembra que o adolescente sonhava em chegar ao futebol profissional e, quem sabe, vestir a camisa da Seleção Brasileira. “Ele sempre dizia: ‘Um dia vou jogar aí, vou me ver aí’. Pena que eu não vi meu filho num time grande, profissionalizado. Eu queria que ele progredisse mais e chegasse numa Seleção Brasileira. Esse era o sonho dele”, contou Marcos.
O pai também relembrou a personalidade alegre do adolescente, que gostava de brincar, fazer os outros rirem e dançar. “Ele só sabia brincar, fazer o povo rir, dançar, fazer palhaçada. Era um filho muito querido”, disse.
Para Marcos, a perda deixou um vazio que não pode ser preenchido. “A gente tinha cinco filhos, perdi um, mas os outros quatro nunca preenchem. É diferente, muito diferente. Eu gosto de todos os meus filhos, mas o mais apegado era ele”, desabafou.
Micael foi baleado após partida de futebol
Micael foi atingido por disparos após participar de uma partida de futebol no bairro do Pontal da Barra. Segundo a Polícia Civil, o adolescente não era o alvo dos atiradores e acabou sendo atingido por engano.
Dois suspeitos já foram identificados pela Polícia Civil: um adulto e um adolescente. Até o momento, ambos não foram localizados. As buscas continuam.
Em meio ao sofrimento pela perda do filho, Marcos deixou um pedido às autoridades: que o caso seja esclarecido e que os responsáveis sejam responsabilizados. “Eu só quero justiça por Micael”, pediu o pai.
Assista a reportagem de Danielle Ferro e Gerson BlaBla:
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