Justiça

Empresa de ração pode ter bens bloqueados após morte de 80 cavalos em AL

Ministério Público aponta intoxicação por ração contaminada e cobra reparação por prejuízo superior a R$ 82 milhões ao haras

Por Erick Balbino/7Segundos 17/08/2026 09h09 - Atualizado em 17/08/2026 09h09
Empresa de ração pode ter bens bloqueados após morte de 80 cavalos em AL
Cavalos eram da raça Mangalarga Marchador - Foto: Ilustração por IA/Google Gemini

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) pediu à Justiça o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da Nutratta Nutrição Animal Ltda. S.A., de seu sócio majoritário e do administrador operacional/financeiro da empresa. A medida é resultado de uma investigação sobre a morte de 80 cavalos da raça Mangalarga Marchador no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia, no interior de Alagoas.

Segundo o MPAL, os animais morreram após apresentar sintomas graves de intoxicação, como letargia, falta de coordenação motora, marcha em círculos, cegueira, compressão da cabeça e insuficiência hepática. O prejuízo causado ao haras é estimado em mais de R$ 82,57 milhões.

A denúncia foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Atalaia. De acordo com o promotor Ary Lages Filho, vídeos registrados após a intoxicação mostram animais em intenso sofrimento.

“As imagens provocam compadecimento. Os cavalos estavam agitados, sentindo dores, metendo a cabeça na parede, cegos e com muito sangue no local”, afirmou o promotor.

Laudos e análises do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) apontaram a presença de substâncias altamente tóxicas na ração, entre elas a monocrotalina e alcaloides pirrolizidínicos, associados a plantas do gênero Crotalaria. Conforme a investigação, os componentes teriam chegado à fabricação por meio de resíduo de soja contaminado, material proibido para uso na alimentação animal.

Durante inspeções, também foram identificadas irregularidades no processo de fabricação, como armazenamento inadequado de matérias-primas, ausência de segregação de insumos, mistura de materiais e falta de pesagem individualizada na produção.

O MPAL sustenta ainda que a empresa teria recebido as primeiras reclamações sobre mortes de animais em 24 de abril de 2025, mas só iniciado uma investigação interna semanas depois. O recolhimento parcial dos produtos ocorreu em 5 de maio, quando já havia registros de mortes em diferentes estados.

Para o promotor, a situação é ainda mais grave diante da suspeita de que integrantes da empresa tinham conhecimento da contaminação. A investigação também aponta que informações falsas teriam sido apresentadas em notas técnicas.

Além das 80 mortes registradas no Haras Nova Alcatéia, o MPAL cita pelo menos outras 284 mortes de cavalos em diferentes estados brasileiros relacionadas ao caso.

Os responsáveis são denunciados por crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais e na legislação que trata dos crimes contra as relações de consumo. A ação busca responsabilizar os envolvidos e garantir recursos para a reparação dos danos causados ao haras.