Meio ambiente

[Vídeo] AL registra quase 600 encalhes de animais marinhos; Biota faz alerta

Biólogo do Biota alerta para aumento de ocorrências envolvendo tartarugas marinhas

Por Giulianna Albuquerque com Danielle Ferro 08/09/2026 15h03 - Atualizado em 08/09/2026 16h04
[Vídeo] AL registra quase 600 encalhes de animais marinhos; Biota faz alerta
Tartaruga marinha - Foto: Gerson BlaBla/7Segundos

Quase 600 animais marinhos foram encontrados encalhados no litoral de Alagoas somente em 2026. Grande parte dos registros envolve tartarugas marinhas, que podem ser encontradas debilitadas, feridas ou em situação de risco nas praias do estado.

De acordo com o biólogo e pesquisador do Instituto Biota, Bruno Stefanis, o aumento dos registros também está relacionado ao crescimento do monitoramento e à maior participação da população na identificação e comunicação dos casos. “O que nos leva a crer é o esforço de campo. A gente tem uma tendência de quanto mais se procura, mais se acha. Então, quanto mais a gente aumenta nosso esforço de monitoramento, de visibilidade, de a população saber a quem recorrer, esse número tende a aumentar”, explicou.

Segundo Bruno Stefanis, este ano foi registrado um número recorde de animais monitorados, o que dificulta a comparação com períodos anteriores. “Nós só tivemos um ano onde a gente monitorou todos os dias e todo o litoral. E nesse ano a gente bateu um recorde de quase 3 mil animais. Então isso é um número muito alarmante para um estado tão pequeno”, afirmou.

Biólogo e pesquisador do Instituto Biota, Bruno Stefanis - Foto: Gerson BlaBla

Verão aumenta número de ocorrências

Com a chegada do verão, a tendência é de que os registros aumentem. O período coincide com uma maior movimentação de pessoas nas praias e também com a temporada reprodutiva das tartarugas marinhas. “Isso tende a crescer no verão, que é o que a gente está entrando agora. Primeiro aumenta o número de pessoas na praia, principalmente nessas áreas mais desertas. E também as tartarugas entram no período reprodutivo”, explicou o pesquisador.

Ele destacou ainda que Alagoas recebe tartarugas que migram de diferentes regiões para se reproduzir no Nordeste. “Não só as residentes estão aqui, como tartarugas migram de vários lugares para vir se reproduzir aqui no Nordeste. Então o número de tartarugas aumenta, o número de pessoas aumenta na praia, o número de pessoas andando de barco, um número de pessoas comendo peixe. Todo esse número eleva e, consequentemente, o número de animais acometidos também”, disse.

Interação humana preocupa


Um dos pontos que mais preocupa os pesquisadores é a quantidade de animais encontrados com sinais de interação negativa com seres humanos. Entre os casos estão ferimentos provocados por redes, atropelamentos e agressões. “A maioria vem acometida com algum sinal de interação antrópica: rede, atropelamento, pancada. Isso tem nos chamado muita atenção, porque esse número de animais com interação negativa com o homem tem aumentado expressivamente”, afirmou Bruno.

Segundo ele, alguns animais chegam em condições graves após sofrerem agressões. “Essas interações são muitas vezes muito violentas. São pancadas, facadas, facãozadas. Isso faz com que o animal chegue aqui muito debilitado e demore meses a ser reabilitado”, relatou.

Além do sofrimento causado aos animais, os resgates também exigem recursos e trabalho das equipes de reabilitação. “Isso tem um custo não só financeiro, como de pessoal, de estar trocando água, alimentando, fazendo com que esse animal seja resgatado por uma simples maldade de uma pessoa de querer aparecer. Eu não sei qual é o motivo de querer fazer, porque muitas vezes nem consome o animal, só machuca e deixa o animal para morrer na praia”, lamentou.

Encontrou uma tartaruga na praia? Saiba o que fazer


Nem toda tartaruga encontrada na areia precisa ser resgatada. Segundo Bruno Stefanis, é importante observar o comportamento do animal antes de qualquer intervenção. “É um animal que está se locomovendo, então ele não precisa de ajuda. Porque é um animal que está saindo da água para desovar. Quando o animal sai da água, só quem sai é a fêmea para desovar”, explicou.

Por isso, caso a tartaruga esteja caminhando normalmente pela praia, a orientação é não se aproximar nem interferir. “Se ela está saindo, caminhando por conta própria, não interaja jamais, porque esse animal está tentando se reproduzir”, alertou.

Por outro lado, situações de dificuldade exigem atenção. “Se o animal está ali na linha de maré, levando tombo, levando onda na cabeça, sem conseguir se deslocar, aquele animal está precisando de ajuda”, afirmou.

Mesmo nesses casos, a recomendação é não tentar realizar o resgate por conta própria. “A gente estimula que as pessoas não tentem interagir com o animal sem ser orientado. Antes de fazer qualquer atitude, tenta registrar uma imagem e mandar para a gente pelo WhatsApp”, orientou.

A partir das informações enviadas, a equipe pode avaliar a situação e orientar quem encontrou o animal sobre os procedimentos necessários.

O que não fazer

Bruno também chamou atenção para comportamentos inadequados que ainda são registrados durante os encontros com animais silvestres. “Se for de noite a tartaruga saindo, nunca tirar foto com flash, por exemplo. Nunca colocar seu filho em cima de uma tartaruga, seu pet em cima da tartaruga para tirar uma foto”, alertou.

Segundo o pesquisador, apesar de parecerem atitudes absurdas, situações desse tipo são comuns. “Isso não parece ser absurdo, mas é muito comum. Então, sempre que avistar um animal silvestre, mantenha a distância”, reforçou.

Como acionar o Instituto Biota


Ao encontrar uma tartaruga ou outro animal marinho em situação aparentemente irregular, a orientação é manter distância, registrar uma imagem e entrar em contato com o Instituto Biota pelo WhatsApp (82) 99115-2944. “Você já recebe uma mensagem automática. É um animal, tira foto, manda coordenada, manda um relato de como o animal está, do acesso para a gente chegar até lá”, explicou Stefanis.

Segundo ele, essas informações ajudam a equipe a avaliar a situação e organizar o deslocamento até o local. “Essas informações básicas vão fazer com que a gente saiba mais ou menos a distância da nossa equipe chegar”, concluiu.

Assista a reportagem de Danielle Ferro e Gerson BlaBla: