Do litoral paradisíaco às ladeiras históricas, passando pelo sossego do lar, pela fé e até pelos livros, o Carnaval segue sendo um dos períodos em que os alagoanos mais se deslocam — física e simbolicamente.
Em 2026, o comportamento se repete: enquanto parte da população busca a folia intensa, outra prefere descanso, espiritualidade ou foco nos estudos.
Quem vive em Maceió, na Região Metropolitana e na Zona da Mata alagoana mantém uma tradição que atravessa gerações: curtir o Carnaval perto de casa, sem abrir mão do clima de verão. As praias urbanas da capital seguem como ponto de encontro para famílias e grupos de amigos, mas o fluxo se intensifica principalmente rumo ao Litoral Sul e ao Litoral Norte do estado.
Barra de São Miguel e Roteiro, com suas águas calmas e infraestrutura turística consolidada, estão entre os destinos mais procurados. Já no Litoral Norte, nomes como Paripueira, São Miguel dos Milagres, Maragogi e Japaratinga voltam a liderar as buscas de quem quer unir descanso, festas privadas e paisagens naturais que ganharam projeção nacional nos últimos anos.
Na Zona da Mata, além do deslocamento para o litoral, muitos foliões mantêm viva uma das manifestações mais tradicionais do interior alagoano: o Carnalaje, em São José da Laje. O mela-mela, marca registrada da festa, segue atraindo moradores da região e visitantes em busca de um Carnaval popular, espontâneo e carregado de identidade cultural.

Foto: Assessoria de Comunicação/ Prefeitura de São José da Laje
No Agreste e no Sertão de Alagoas, o roteiro carnavalesco costuma seguir caminhos bem definidos. A maioria dos moradores dessas regiões aproveita o feriado prolongado para descer em direção ao Litoral Sul, onde cidades como Coruripe concentram grande fluxo de visitantes.
As praias do Miaí de Cima, Miaí de Baixo, Lagoa do Pau e o Pontal do Coruripe estão entre as mais disputadas. “A gente vai para Ponta da Asa, que fica no Miaí, em Coruripe. É tradição da família. Lá é festa todo dia, muita dança, alegria e reencontro”, conta Edileuza Balbino, que vai passar o Carnaval acompanhada de parentes e amigos.

Praia do Pontal do Coruripe, no Litoral Sul de Alagoas
Outros destinos bastante procurados são Feliz Deserto e Piaçabuçu, especialmente a Praia do Peba, conhecida pelo clima animado e pelo apelido carinhoso de Praia do Oi, dado pelos moradores de Arapiraca, que lotam o povoado como se estivessem em casa.
As cidades ribeirinhas de Traipu e Penedo também entram no radar de quem prefere trocar o mar pelo rio, com programação que mistura descanso, passeios e eventos locais. No Sertão, Piranhas aparece como alternativa para quem busca charme histórico, gastronomia e contato com o Rio São Francisco.
Folia e Fé
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Entre os alagoanos que preferem sair do estado durante o Carnaval, alguns destinos se mantêm imbatíveis ano após ano. Recife e Olinda, em Pernambuco, seguem liderando a preferência, impulsionadas pela força dos blocos de rua, dos bonecos gigantes e do frevo.
“É o segundo ano consecutivo que vou para Olinda. A energia de lá é diferente, é um Carnaval que você vive na rua o tempo inteiro”, relata Jorge Santos, que já se prepara para encarar mais uma maratona de blocos e de ladeiras.
Salvador, na Bahia, continua sendo sinônimo de grandes multidões, trios elétricos e atrações nacionais, atraindo quem busca um Carnaval de grandes proporções. Já Neópolis, em Sergipe, surge como alternativa mais próxima e tranquila, especialmente para famílias e grupos que preferem uma folia menos intensa, mas ainda animada.
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Longe dos trios e das marchinhas, milhares de alagoanos optam por um Carnaval diferente. Retiros religiosos acontecem nos quatro cantos do estado, reunindo fiéis em dias de oração, reflexão e fortalecimento da fé. Paróquias, comunidades católicas e igrejas evangélicas organizam programações que incluem palestras, momentos de espiritualidade e convivência.
Esses encontros atraem desde jovens até famílias inteiras, que veem no feriadão uma oportunidade de desacelerar e se reconectar espiritualmente. Para muitos, é uma escolha que equilibra corpo e mente, funcionando como contraponto à agitação típica do período.
Nem só de viagem e festa se faz o Carnaval. Há quem escolha permanecer em casa, reunido com a família, aproveitando os dias de folga para descansar, colocar conversas em dia e fugir do ritmo acelerado da folia. Essa decisão, cada vez mais comum, reflete também a busca por tranquilidade e bem-estar.
Outro grupo que cresce ano após ano é o dos que veem no Carnaval uma oportunidade estratégica. É o caso do concurseiro Romeo Ferreira, de 33 anos.
“Eu amo o Carnaval, gosto da folia, mas este ano vou ficar em casa estudando. É um sacrifício momentâneo pensando em um objetivo maior”, afirma. Para ele, os dias de descanso coletivo se transformam em uma chance de manter o foco e avançar nos estudos, longe das distrações do cotidiano.

