'Demonizou poder para apoderar-se dele', diz Gilmar sobre Lava Jato
Sem citar nominalmente a operação, o ministro fez as críticas no momento em que Moro e Dallagnol estão envolvidos com a política
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou mais uma vez a Operação Lava Jato nesta quinta-feira (5). Ele afirmou, sem citar a operação, que alerta "há alguns anos para a politização da persecução penal". "A seletividade, os métodos de investigações e vazamentos: tudo convergia para um propósito claro – e político, como hoje se revela. Demonizou-se o poder para apoderar-se dele. A receita estava pronta", escreveu em sua página no Twitter.
A crítica se dá logo depois dos movimentos do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que foi juiz da operação na 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, e do agora ex-procurador do MPF (Ministério Público Federal) no Paraná Deltan Dallagnol. Este último anunciou nesta quinta-feira (4) a decisão de renunciar ao cargo. Apesar de não dizer publicamente, ele deve seguir carreira política. A exoneração de Dallagnol foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (5).
"Essa decisão de sair do Ministério Público não foi fácil. Eu tenho muito orgulho do Ministério Público e do trabalho que ele faz pela sociedade brasileira em diferentes áreas. Contudo, os nossos instrumentos de trabalho para alcançar a justiça vêm sendo enfraquecidos, destruídos", disse em vídeo. Dallagnol já havia deixado o cargo de chefe da equipe de investigação em Curitiba em setembro do ano passado para cuidar da filha, que passava por problemas de saúde.
Já Moro, após intensa atuação na Lava Jato, deixou o cargo de juiz para se tornar ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Jair Bolsonaro. Antes de deixar o Judiciário, Moro incluiu, em 2018, a delação do ex-ministro Antonio Palocci na ação contra o ex-presidente Lula relativa a recebimento de propina por meio de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula.
Além disso, o ex-juiz retirou o sigilo da delação seis dias antes do primeiro turno das eleições. No ano passado, a Segunda Turma do STF retirou a delação do processo, ocasião em que os ministros apontaram a parcialidade do ex-juiz, por entender que ele quis criar um fato político às vésperas do pleito.
Sergio Moro ficou no governo Bolsonaro até abril do ano passado e se tornou inimigo político do presidente e seu grupo. O ex-ministro vai se filiar, no próximo dia 10, ao Podemos, partido pelo qual deve disputar a Presidência da República.
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