Blog do André Avlis
Morre Edson, vive Pelé!
Velório será realizado das 10h de segunda-feira (2) até 10h da terça-feira (3), na Vila Belmiro. O enterro, restrito aos familiares, também acontece em Santos
Talvez não seja uma crônica à altura, mas tenho a obrigação de escrever.
Ponto final na biografia de Edson Arantes do Nascimento. Reticências intermitentes para Pelé.
O humano - como todos os humanos - controverso e imperfeito. A entidade inigualável e intocável.
Pelé foi ruptura. Existe o futebol antes e o futebol depois de sua existência. Revolucionou a forma de jogar através do talento exacerbado, da superioridade física e da inteligência tática. Todos os vários termos sobre alta performance elevados num só corpo.
Tudo o que vemos hoje, Pelé já fazia. Como se fosse um viajante do tempo, à frente de seu próprio período.
Sem ele, o futebol não seria o mesmo. Dentro das quatro linhas e fora delas. No campo e na grama. Na caneta e no papel. No rádio e na TV. Sua representatividade foi tão abrangente que ultrapassou todos os âmbitos ligados ao esporte. Inclusive o jornalismo.
Em nosso imaginário utópico transformamos tais figuras em imortais. Deixando de lado, involuntariamente, a naturalidade da vida. Mas infelizmente não há ficção na vida. Até para quem foi real, de carne e osso. Rei.
Eu amo o futebol e o vivo 24h por dia. Em determinado momento - antes de trabalhar na imprensa - me senti na obrigação de pesquisar, estudar, ler, ver, ouvir e tentar entender o que e quem era o assombroso, genial, absurdo, anormal, extraordinário Pelé.
E sim, ele era tudo aquilo.
Fez o número 10 deixar de seu apenas um número. Emprestou seu rosto e sua imagem para difundir o futebol através de seus pés. Fez uma guerra parar por um instante através de um cessar-fogo, em Biafra, na Nigéria. Levou o Santos para 60 países em excursões para aqueles que deixavam tudo para vê-lo jogar.
Transformou lances não finalizados em feitos. Mesmo ser ter feito. De um gol não feito à um simples soco no ar que se tornou ícone.
Além de seus 1282 gols, venceu o que podia.
Fez gol em final de Copa do Mundo, das três que conquistou com apenas 17 anos. Venceu duas Libertadores e dois Mundiais quando eram tudo parecia impossível. Conseguiu 10 Paulistas - sendo artilheiro em 9 deles de forma consecutiva - e seis Campeonatos Brasileiros.
Um reinado longevo e agora ainda mais eterno. Com a simbologia de correlacionar uma figura e um nome para trazer sinônimos de grandeza. Daqueles que são o 'Pelés' do Vôlei, do Basquete, do Tênis, do Atletismo, do Automobilismo, do Teatro, da Música, do Cinema. De tudo o que remeta a excelência de ser o melhor.
Embora alguns avessos ao passado usem de tolice para diminuir ou menosprezar alguém tão grande através de retóricas e argumentos pequenos.
Ontem, 29 de dezembro, certamente foi um dos dias mais tristes do futebol. Onde o dono da monarquia absoluta da bola tornou-se súdito do próprio tempo. Que por tanto tempo o elevou por seus próprios feitos e façanhas. Tornando-o único e inigualável.
O maior jogador do maior esporte do mundo.
Humano falho. Atleta perfeito. Rei. Eterno. Infinito.
Morre Edson, vive Pelé!
Para sempre.
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