Politicando
Em Alagoas, número de policiais com problemas mentais e afastamentos na corporação só aumenta
Estudo mostra alta taxa de transtornos mentais em policiais militares em Alagoas
Um estudo sobre a saúde mental dos policiais militares em Alagoas, publicado no site Brazilian Journal of Development em 2021, revelou que a maioria dos agentes de segurança pública apresenta alterações psicológicas.
De acordo com o estudo, 88,33% dos policiais militares apresentam provável diagnóstico de depressão, 11,66% de suicídio, 29,16% de hipomania e mania, 3,33% de transtorno de pânico, 7,5% de transtorno de estresse pós-traumático e 6,66% de dependência de álcool. Com relação à impulsividade, 8,3% foram classificados como altamente impulsivos, 41,6% muito controlados e 50% nos limites de normalidade de impulsos.
Apesar de a corporação contar com um grande núcleo de apoio aos seus policiais, o estudo sugere que a ajuda ainda é insuficiente para um ambiente de trabalho saudável.
Em 2015, a Polícia Militar informou que 202 dos 8 mil policiais da corporação estavam sendo atendidos pela junta médica, enquanto na Polícia Civil, 33 dos 1.800 policiais estavam fora das ruas para tratamento.
De acordo com o psiquiatra Aldenis Peixoto, a classe dos policiais alagoanos é a segunda maior categoria do estado em número de afastamentos por problemas psicológicos, ficando atrás apenas dos professores.
Além das questões de saúde mental, "forças ocultas" têm retirado da rua experientes policiais, muitos dos quais foram confinados a trabalhos administrativos.
Dentre os afastados está o coronel Walter do Valle, que até o ano passado foi responsável pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC), mas foi exonerado após pedidos políticos do governador Paulo Dantas (MDB). Em uma entrevista oficial, o militar falou sobre a falta de estrutura de trabalho na maioria dos Batalhões. A exoneração teria sido motivada pela fala do coronel.
Outro militar “punido” foi o tenente-coronel Rocha Lima que, a exemplo de Do Valle, pode ter sido vítima de uma injustiça.
Fontes ligadas ao alto escalão da Polícia Militar de Alagoas informaram ao Blog Bastidores que hoje em dia os nomes dos dos militares são quase que proibidos de serem mencionados entre os oficias mais novos ou pelo comando-geral.
O caso de Rocha Lima é ainda mais emblemático. Sem nunca ter sido condenado por nenhum crime, o oficial foi preso durante cerca de dez meses, acusado de estar envolvido em um homicídio registrado em Maceió. A prisão trouxe muitos questionamentos.
Um dos mais intrigantes é que a pessoa – também presa – que assume a autoria do crime, por diversas vezes, tem mantido a mesma versão, que Rocha Lima nada teve a ver com o homicídio e que é um inocente que vem sendo acusado injustamente.
A pergunta que não quer calar é: “a quem interessa retirar das ruas ou dos comandos das tropas oficiais qualificados?
Walter do Valle teria sido vítima de sua opção política. Para muitos, esse seria o motivo principal da “exclusão” do oficial no comando da tropa.
No caso de Rocha Lima, a verdadeira história por trás das acusações e de sua prisão podem ser ainda mais sórdidas.
Enquanto era comandante do 8º BPM, em julho de 2020, o tenente-coronel teria determinado suas guarnições que ajudasse no esclarecimento do homicídio do desempregado Ailson Mariano, de 18 anos, levado de São Miguel dos Campos, onde residia, para o município do Pilar, onde após ser morto, teve o corpo enterrado em um canavial.
Após as prisões dos suspeitos, levados até a Central de Flagrantes, em Maceió, as guarnições foram informadas pelo delegado de plantão na época que o flagrante já havia acabado e que os suspeitos deveriam ser soltos. Os militares teriam ficados revoltados com a decisão do delegado e, ainda durante a madrugada, informaram a Rocha Lima, que relatou o fato ao promotor de Justiça Silvio Azevedo, na comarca do Pilar, o qual, após descobrir entre os suspeitos que o delegado havia determinado a liberação, estava um homem com prisão decretada por outro crime, instaurou um procedimento a fim de punir o delegado.
Rocha Lima foi preso dias após este fato, o que, para outros oficiais da PM, seria uma espécie de “troco” dado a ele por ter “afrontado” a decisão do delegado.
Sobre o blog
Governo ou Senado? Após deixar a Prefeitura, JHC terá dois caminhos decisivos para 2026
Com o avanço das articulações políticas para 2026, o cenário envolvendo o prefeito de Maceió, JHC, começa a ganhar contornos mais definidos — ainda que cercados de incertezas nos bastidores.
Após deixar o comando da capital alagoana, JHC terá, na prática, dois caminhos principais: disputar o Governo de Alagoas ou entrar na corrida por uma vaga no Senado Federal.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o prefeito vem trabalhando com ambas as possibilidades de forma estratégica. A eventual candidatura ao Governo surge como um movimento natural, considerando sua projeção política e capital eleitoral. Por outro lado, a disputa pelo Senado aparece como uma alternativa considerada mais segura e com menor desgaste político.
A leitura entre lideranças é de que a definição final dependerá diretamente do cenário político estadual, especialmente da composição de alianças e do posicionamento de grupos tradicionais.
A filiação ao PSDB, acompanhada pela primeira-dama Marina Candia e pela senadora Eudócia Caldas, reforça que o grupo já está inserido em um projeto maior, mirando protagonismo nas eleições.
Apesar disso, a ausência de uma definição clara sobre qual cargo será disputado tem alimentado dúvidas entre aliados e lideranças políticas. A avaliação é que o tempo de indefinição pode impactar diretamente na construção de confiança e na consolidação de apoios.
Nos bastidores, a percepção é objetiva: JHC joga em duas frentes, mas, ao deixar a prefeitura, precisará fazer uma escolha definitiva e essa decisão tende a redesenhar completamente o tabuleiro político de Alagoas para 2026.
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