Professor Abel

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Professor vagabundo? O nível do debate público virou o desmonte do Estado.

Entre discursos de ódio, desinformação e violência institucional, professores se tornam alvo preferencial de políticos que transformam a educação pública em inimiga para enfraquecer pensamento crítico e desmontar estruturas do Estado.

17/05/2026 21h09
Professor vagabundo? O nível do debate público virou o desmonte do Estado.

A segunda semana de maio trouxe para os holofotes das redes sociais um verdadeiro banho de ódio, desinformação e ataques diretos a uma das profissões que hoje mais sofrem com problemas psicológicos derivados da própria função.

A greve dos professores da rede municipal de São Paulo ligou o alerta: a categoria está sendo caçada por “políticos influencers” que sabem exatamente o que fazem e onde querem chegar com a violência institucional que promovem.

Um vereador foi à tribuna e gritou em alto e bom som: “VAGABUNDOS”.

Curioso é que o próprio conceito da palavra no dicionário define vagabundo como alguém vadio, desocupado, sem função ou objetivo. Um profissional, por definição, exerce uma função. Logo, a acusação se desmonta sozinha. Mas talvez eu esteja exigindo demais ao tentar explicar filosofia para quem não entende sequer gramática. O mesmo vereador recebe mais de 26 mil reais por mês, possui verba anual superior a meio milhão de reais para custear o mandato, participa de poucas sessões semanais e ainda tem o privilégio de votar o próprio salário. Essa “intensa jornada” sequer se aproxima da realidade de professores que trabalham mais de 20 horas semanais, muitas vezes bem mais, recebendo, em média, cerca de 4 mil reais. Afinal, quem vive cercado de regalias?

Essa cruzada de políticos de determinado espectro ideológico contra professores, no Brasil e em outras partes do mundo, revela muito mais do que desinformação: revela um projeto. Um projeto contra quem atua na formação crítica dos indivíduos.

O professor virou símbolo de incômodo, principalmente para quem depende da ausência de pensamento crítico como ferramenta de controle. Xingar, humilhar, perseguir e transformar o professor em inimigo é estratégico para quem deseja poder sem questionamento.

Sem uma escola pública forte, livre e valorizada, o caminho fica aberto para os verdadeiros doutrinadores.

Desmontar estruturas estatais virou regra. Virou fetiche de quem, curiosa e ironicamente, vive às custas delas, com mandatos, mamatas e benesses dos “amigos do rei”.

E quem ganha com isso?

Muitas vezes eles mesmos: agem como parasitas do sistema, destruindo aquilo de que se alimentam.

Serve para eles. Reflita.

Sobre o blog

Thiago Abel, mas podem me chamar apenas de Abel. Professor,  e inquieto por natureza. O objetivo do blog é observar o que de fato importa no cotidiano do povo arapiraquense e tudo que influencie em nossas terras.

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