Professor Abel
Professor vagabundo? O nível do debate público virou o desmonte do Estado.
Entre discursos de ódio, desinformação e violência institucional, professores se tornam alvo preferencial de políticos que transformam a educação pública em inimiga para enfraquecer pensamento crítico e desmontar estruturas do Estado.
A segunda semana de maio trouxe para os holofotes das redes sociais um verdadeiro banho de ódio, desinformação e ataques diretos a uma das profissões que hoje mais sofrem com problemas psicológicos derivados da própria função.
A greve dos professores da rede municipal de São Paulo ligou o alerta: a categoria está sendo caçada por “políticos influencers” que sabem exatamente o que fazem e onde querem chegar com a violência institucional que promovem.
Um vereador foi à tribuna e gritou em alto e bom som: “VAGABUNDOS”.
Curioso é que o próprio conceito da palavra no dicionário define vagabundo como alguém vadio, desocupado, sem função ou objetivo. Um profissional, por definição, exerce uma função. Logo, a acusação se desmonta sozinha. Mas talvez eu esteja exigindo demais ao tentar explicar filosofia para quem não entende sequer gramática. O mesmo vereador recebe mais de 26 mil reais por mês, possui verba anual superior a meio milhão de reais para custear o mandato, participa de poucas sessões semanais e ainda tem o privilégio de votar o próprio salário. Essa “intensa jornada” sequer se aproxima da realidade de professores que trabalham mais de 20 horas semanais, muitas vezes bem mais, recebendo, em média, cerca de 4 mil reais. Afinal, quem vive cercado de regalias?
Essa cruzada de políticos de determinado espectro ideológico contra professores, no Brasil e em outras partes do mundo, revela muito mais do que desinformação: revela um projeto. Um projeto contra quem atua na formação crítica dos indivíduos.
O professor virou símbolo de incômodo, principalmente para quem depende da ausência de pensamento crítico como ferramenta de controle. Xingar, humilhar, perseguir e transformar o professor em inimigo é estratégico para quem deseja poder sem questionamento.
Sem uma escola pública forte, livre e valorizada, o caminho fica aberto para os verdadeiros doutrinadores.
Desmontar estruturas estatais virou regra. Virou fetiche de quem, curiosa e ironicamente, vive às custas delas, com mandatos, mamatas e benesses dos “amigos do rei”.
E quem ganha com isso?
Muitas vezes eles mesmos: agem como parasitas do sistema, destruindo aquilo de que se alimentam.
Serve para eles. Reflita.
Sobre o blog
Thiago Abel, mas podem me chamar apenas de Abel. Professor, e inquieto por natureza. O objetivo do blog é observar o que de fato importa no cotidiano do povo arapiraquense e tudo que influencie em nossas terras.
Arquivos
Últimas notícias
Enquanto Renan Filho avança no interior, JHC reduz ritmo após investida no Sertão
Família busca por jovem de 23 anos que desapareceu em Arapiraca
Furto de cabos nos bairros Mangabeiras e Jatiúca prejudica fornecimento de energia na região
Arapiraquense morre após 20 dias internado devido a grave acidente de moto
São Sebastião realiza Bingo das Mães com praça lotada e diversos prêmios
