Professor Abel

Professor Abel

Professor Abel

Projeto Fronteiras Invisíveis coloca Escola Estadual Manoel André em destaque com iniciativa de alcance internacional

01/08/2026 13h01 - Atualizado em 01/08/2026 14h02
Projeto Fronteiras Invisíveis coloca Escola Estadual Manoel André em destaque com iniciativa de alcance internacional


A Escola Estadual Manoel André, em Arapiraca, ganhou destaque durante o mês de julho com o lançamento do projeto Fronteiras Invisíveis, uma iniciativa que aproxima os estudantes do universo da diplomacia, dos direitos humanos e das relações internacionais, despertando o protagonismo juvenil e ampliando o debate sobre questões globais. Liderado pelas gestoras Simone Melo e Alcione Santos, o projeto transformou a escola em um espaço de reflexão e formação cidadã, reunindo estudantes, professores, pesquisadores e representantes do poder público.

Conversei com o professor João Vitor Torquato, idealizador e coordenador da iniciativa, que explicou os objetivos do projeto e destacou os resultados alcançados até o momento.

O que é o Projeto Fronteiras Invisíveis?
Segundo o professor, o projeto nasceu com a proposta de desenvolver nos estudantes uma visão de cidadania que ultrapassa as fronteiras locais. “O principal objetivo é despertar nos jovens o senso de cidadania em nível local e global, estimular o protagonismo juvenil, incentivar o interesse pela carreira diplomática — ainda pouco conhecida pelos estudantes — e desenvolver o pensamento crítico. Também buscamos mobilizar conhecimentos de diferentes áreas para que eles proponham soluções práticas para grandes desafios contemporâneos, como a questão dos refugiados nas Américas.”

A culminância do projeto
O ponto alto da iniciativa aconteceu no dia 24 de julho, com a realização de uma simulação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA). Durante a atividade, os estudantes assumiram o papel de representantes diplomáticos de diferentes países, debatendo propostas relacionadas à proteção dos direitos humanos e à crise dos refugiados. “O evento é a culminância de várias semanas de preparação. Antes da simulação, realizamos diferentes momentos formativos para que os alunos compreendessem o papel que desempenhariam durante os debates”, explicou João Vitor.

Formação com especialistas
A preparação dos estudantes foi dividida em três etapas. Na primeira, eles participaram de um encontro com um diplomata, que apresentou a carreira diplomática e explicou como funciona o trabalho dos representantes brasileiros no exterior. Em seguida, a escola recebeu um refugiado palestino que deixou a Faixa de Gaza em busca de uma vida melhor no Brasil. Atualmente empresário e professor de língua árabe, ele compartilhou sua experiência de vida, aproximando os alunos da realidade enfrentada por milhares de refugiados. A terceira formação foi conduzida pelo próprio professor João Vitor, em uma roda de conversa sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela ONU em 1948 “Discutimos artigo por artigo da declaração. Não foi uma aula expositiva, mas um diálogo em que cada estudante pôde apresentar sua visão e refletir sobre os direitos humanos de forma colaborativa.”

Ações além da sala de aula. 
O projeto também promoveu uma intervenção simbólica dentro da escola. Cópias da Declaração Universal dos Direitos Humanos foram disponibilizadas em locais estratégicos, como a biblioteca, a sala dos professores e a coordenação pedagógica, facilitando o acesso ao documento por toda a comunidade escolar.

Sobre a coordenação do projeto. 
João Vitor explica que idealizou o Fronteiras Invisíveis por enxergar na proposta uma extensão de sua própria formação acadêmica.
“É um projeto que dialoga diretamente com minha trajetória. Embora envolva História, Política, Direito e Economia, ele também está profundamente relacionado à minha formação em Letras, especialmente pela importância da argumentação, da retórica e da construção do discurso. Trata-se de um projeto verdadeiramente multidisciplinar.”

Quem participa?
Nesta primeira edição, participaram diretamente 10 estudantes, que representaram países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA). Embora a organização possua 35 países integrantes, a seleção foi reduzida por questões logísticas. Além dos delegados, outros estudantes assumiram funções essenciais para o funcionamento do evento, atuando como cerimonialistas, monitores, recepcionistas, equipe de apoio ao coffee break, coordenação geral e operação de som. “Cada aluno recebeu uma função específica para garantir que tudo acontecesse da melhor maneira possível, permitindo que os representantes dos países pudessem concentrar-se exclusivamente nas atividades diplomáticas.”

Mesa de abertura reuniu especialistas. 
A cerimônia de abertura contou com convidados de destaque no meio acadêmico e institucional:
Professora Ellen Maianne Santos Melo, doutora em Educação e docente de Filosofia do IFAL Arapiraca;
Professora Rosângela Nunes de Lima, doutora em Linguística e professora de Língua Inglesa do IFAL Arapiraca;
Professora Inalda Maria Duarte de Freitas, doutora em Educação e professora de Língua Francesa;
Saulo Oliveira, secretário-adjunto de Cultura, Lazer e Juventude de Arapiraca.

Parcerias fortaleceram a iniciativa

Além do apoio da Escola Estadual Manoel André, que contribuiu com materiais de papelaria e a estrutura do coffee break, o projeto recebeu importantes parcerias. O restaurante Massagueirinha Arapiraca patrocinou um almoço completo para os três estudantes com melhor desempenho na simulação e para o professor coordenador. Outro incentivo importante será uma viagem pedagógica à cidade histórica de Penedo, destinada aos participantes do projeto. A atividade será financiada por um projeto de pesquisa aprovado junto à FAPEAL.
Segundo João Vitor, a visita permitirá aprofundar estudos sobre ancestralidade africana, estabelecendo um diálogo entre a história regional e as discussões promovidas ao longo do Fronteiras Invisíveis.

Ao unir diplomacia, direitos humanos, protagonismo estudantil e formação cidadã, o Projeto Fronteiras Invisíveis consolida a Escola Estadual Manoel André como referência em inovação pedagógica e demonstra que a escola pública pode ultrapassar barreiras geográficas e acadêmicas, preparando jovens para compreender e atuar nos desafios de um mundo cada vez mais conectado.

Sobre o blog

Thiago Abel, mas podem me chamar apenas de Abel. Professor,  e inquieto por natureza. O objetivo do blog é observar o que de fato importa no cotidiano do povo arapiraquense e tudo que influencie em nossas terras.

Arquivos