Arapiraca no pódio: atletas levam o nome da cidade ao mundo
Alexandre Negão, tricampeão sul-americano de jiu-jítsu, e Carminha, multimaratonista de 68 anos, acumulam conquistas e destacam os desafios para seguir no esporte
Arapiraca, no Agreste de Alagoas, construiu sua história a partir da agricultura, especialmente da produção de fumo, e se consolidou como um dos principais polos econômicos do interior do estado. Às vésperas de completar mais um ano de emancipação política, o município também tem motivos para celebrar as trajetórias de atletas que levam seu nome a competições nacionais e internacionais.
Entre essas histórias estão as de Erivan Alexandre Pereira da Silva, conhecido como Alexandre Negão, de 37 anos, tricampeão sul-americano de jiu-jítsu sem kimono, e Maria do Carmo Cruz da Hora, a Carminha, de 68 anos, multimaratonista que já acumula mais de 200 medalhas. Com trajetórias diferentes, os dois têm em comum a dedicação ao esporte e o orgulho de representar Arapiraca.
Tricampeonato e mudança de cidade
Alexandre Negão começou a praticar jiu-jítsu em 2012 e, desde então, construiu uma trajetória marcada por dedicação e conquistas importantes. Em 2026, o atleta alcançou um feito expressivo ao conquistar dois títulos sul-americanos organizados pela Federação Internacional Brasileira de Jiu-Jítsu (IBJJF), nas modalidades com e sem kimono, em um intervalo de apenas três semanas.
Na modalidade sem kimono, Alexandre conquistou o tricampeonato consecutivo, após vencer as edições de 2024, 2025 e 2026. Três semanas depois, voltou a subir ao lugar mais alto do pódio ao conquistar também o título sul-americano com kimono na mesma temporada.
Além dos títulos, o atleta garantiu o terceiro lugar na categoria Absoluto na competição sem kimono. As conquistas mostram sua trajetória no esporte e levam o nome de Arapiraca a competições de destaque no cenário nacional.

Desde maio deste ano, o atleta mora em São Paulo, onde integra a equipe JFC ALMEIDA JJ-SP, para ficar mais próximo dos principais eventos da modalidade. Segundo ele, a concentração das competições nas regiões Sul e Sudeste facilita a participação nos campeonatos e amplia a visibilidade dos esportistas.
A rotina é intensa, com até três treinos de jiu-jítsu por dia, além de musculação, alimentação controlada e suplementação. Para Alexandre, manter a preparação exige dedicação constante.
“Vida de atleta não é fácil”, relatou.
O lutador conta com apoio da Prefeitura de Arapiraca, por meio da Secretaria Municipal de Esporte, além de patrocinadores e apoiadores particulares. Entre eles está a ex-vereadora doutora Fanny, que o acompanha desde 2022, quando começou a competir.
Mesmo morando atualmente em São Paulo, Alexandre afirma que representar sua cidade natal continua sendo motivo de orgulho.
“Eu me sinto privilegiado de estar levando o nome da cidade de Arapiraca até os maiores eventos, tanto da CBJJ como da IBJJF”, destacou.

Dois sul-americanos, um mundial e mais de 200 medalhas
A história de Carminha mostra que a idade não precisa ser um obstáculo para começar uma trajetória esportiva. Pernambucana de nascimento, ela foi criada em Arapiraca desde bebê e descobriu a paixão pelas corridas aos 60 anos, em 2019.
Na época, participou de uma prova de dois quilômetros realizada na escola onde o filho trabalha. A experiência despertou o interesse pelas corridas de longa distância e deu início a uma trajetória que já reúne mais de 200 medalhas conquistadas em provas nacionais e internacionais.

Entre as conquistas mais recentes de Carminha estão os resultados obtidos em duas competições realizadas em 2026. Nos dias 27 e 28 de junho, a atleta conquistou seis medalhas de ouro no 32º Campeonato Estadual de Atletismo Master, no Rio de Janeiro. Ela ficou em primeiro lugar na categoria nas provas de 100, 200, 400, 800, 1.500 e 5.000 metros rasos.
Em setembro, durante o XVIII Troféu Brasil de Atletismo Master, realizado entre os dias 18 e 20, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a multimaratonista voltou a subir ao pódio em todas as seis provas que disputou. Competindo na categoria de 65 a 69 anos, conquistou duas medalhas de ouro, nos 400 e 800 metros rasos, uma de prata, nos 2.000 metros com obstáculos, e três de bronze, nos 1.500, 5.000 e 10.000 metros rasos.
A atleta, que também é mãe, avó, dona de casa e técnica de enfermagem, carrega a bandeira de Arapiraca e de Alagoas nas competições. O tradicional gibão e o chapéu de couro também fazem parte de sua identidade nas provas, mostrando a ligação com a cultura nordestina.

Apesar das conquistas, o financiamento das viagens e das inscrições continua sendo um dos principais desafios para manter a participação em eventos esportivos. Carminha afirma que já recebeu algumas ajudas, mas gostaria de contar com mais apoio para ampliar sua presença nas competições.
“Representar Arapiraca é o que me motiva a não desistir”, afirmou.
Orgulho de representar a cidade
As trajetórias de Alexandre e Carminha revelam diferentes caminhos no esporte. Enquanto o lutador precisou se mudar para São Paulo para ficar mais próximo do circuito competitivo, a multimaratonista encontrou nas corridas uma paixão depois dos 60 anos. Ambos, porém, destacam o vínculo com Arapiraca como parte importante de suas histórias.
Ao falar sobre a cidade, Alexandre deixou uma mensagem para quem deseja começar no jiu-jítsu e construir uma carreira esportiva. Ele contou que ouviu críticas e pessoas que duvidavam de sua capacidade, mas decidiu continuar.
“Não deixem de sonhar. Corram atrás do seu sonho, como eu fiz”, aconselhou.
Carminha também deixou uma mensagem de perseverança, associando sua trajetória à importância de acreditar em novas possibilidades, independentemente da idade.
“Arapiraca, minha eterna paixão. Nunca desista dos seus sonhos e vamos continuar acreditando em dias melhores”, declarou.
Às vésperas do aniversário do município, as histórias dos dois atletas mostram que representar Arapiraca vai além de subir ao pódio. É também levar a identidade da cidade para outros lugares e inspirar novas gerações a encontrar no esporte um caminho de realização.
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