Alagoas

Pistolas tasers, usadas por PM no combate ao Crack, chegam à AL

As armas não letais têm previsão de começarem a ser usadas no início de 2013 

18/11/2012 09h09
Pistolas tasers, usadas por PM no combate ao Crack, chegam à AL
Chegaram à Secretaria de Defesa Social de Alagoas cerca 100 armas de choque e spray de pimenta para conter os dependentes de crack em casos de “necessidade”. A previsão é de que as armas não letais comecem a ser usadas no início de 2013. O valor das armas e das bases móveis não foi informado pela Secretaria de Defesa Social.

Cerca de 30 policiais militares e 23 guardas municipais já receberam treinamento para usar as armas. Além destes, 28 estão terminando a capacitação. Ao todo serão 81 policiais capacitados para usar este tipo de arma.

As armas fazem parte das ações do Programa do Ministério da Justiça “Crack, é possível Vencer”, que tem como principal objetivo resgatar esse público da rua e conduzi-lo para tratamento.

Segundo o diretor de Prevenção à Criminalidade de Secretaria de Defesa Social, coronel Carlos Alberto Mendonça, para as armas começarem a ser usadas serão encaminhadas a Alagoas duas bases móveis e a prioridade será nas áreas do Benedito Bentes e do Vergel do Lago, em Maceió. Cada base terá 20 câmeras de monitoramento e 40 policiais.

As bases móveis ficarão em área considerada crítica. O coronel explicou que elas vão ficar em praças abandonadas, onde os usuários costumam ficar e em locais onde há o uso de crack. “Em Maceió, não temos um ponto só de crack, como em São Paulo, aqui os pontos são em vários lugares”, concluiu.

A determinação é da portaria 4.226, de 2010, do Ministério e da Secretaria de Diretitos Humanos da Presidência. A orientação para o uso de armas de choque é da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

Uso das tasers gera polêmica

A utilização das armas de choque é uma polêmica entre os estudiosos. Para o psicólogo Felipe Rocha, o uso de taser demonstra falta de sensibilidade e despreparo das autoridades para tratar os dependentes químicos.

“A própria sociedade cria um problema e depois busca solução”, disse. Entretanto, o psicólogo contou que em algumas situações a arma não letal pode ser útil, mas é preciso saber usar.

“De uma forma geral, o Estado acaba devolvendo violência com mais violência. Dizer que isto seja a melhor solução não é viável”, alegou. Ele afirmou que os dependentes químicos muitas vezes têm dificuldade de controlar os impulsos e essas armas acabam justificando a agressividade contra o dependente.

“Eu acho perigoso, existem outras ferramentas”, emendou. “O dependente não deve ser tratado como um bandido e sim como uma pessoa que está doente”, conclui.