Renan está entre governadores contra o impeachment de Dilma
Além do governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), 14 governadores e o do Distrito Federal manifestaram apoio à presidente Dilma Rousseff e são contra ao impeachment.
O processo de impeachment foi aberto, na semana passada, na Câmara dos Deputados, pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Já na tarde desta terça-feira (8) foi eleita a Chapa 2 de oposição ao governo e que vai formar a comissão do impeachment.
A reunião a qual Renan Filho participou aconteceu um dia depois de o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB) ter enviado uma carta à presidenta na qual ele diz que a petista não confia nele nem no PMDB, partido do qual ele é presidente e o governador de Alagoas faz parte.
“Entendemos que o mecanismo de impeachment, previsto no nosso ordenamento jurídico, é um recurso de extrema gravidade que só deve ser empregado quando houver comprovação clara e inquestionável de atos praticados dolosamente pelo chefe de governo que atentem contra a Constituição”, diz a carta.
Na carta, dita também como documento, os governadores do partido acrescentam:
“O processo de impeachment, aberto na última quarta-feira, 02/12, carece desta fundamentação. Não está configurado qualquer ato da Presidenta da República que possa ser tipificado como crime de responsabilidade”.
A carta é assinada pelos governadores do Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.
Reunião
A reunião da presidenta Dilma Rousseff com os governadores para tratar sobre o processo de impeachment durou por cerca de uma hora e meia. O encontro foi uma estratégia do governo para se preparar para o embate do processo que está se concretizando.
Leia a íntegra da carta divulgada pelo Palácio do Planato:
CARTA PELA LEGALIDADE
Os Governadores estaduais vêm, por meio desta nota, manifestar-se contrariamente ao acolhimento do pedido de abertura de processo de impeachment contra a Presidenta da República.
A história brasileira ressente-se das diversas rupturas autoritárias e golpes de estado que impediram a consolidação da nossa democracia de forma mais duradoura. Tanto é assim que este é o período mais longo de normalidade institucional de nossa história, conquistado após a luta de amplos setores da sociedade. Nesse sentido, é dever de todos zelar pelo respeito à Constituição e ao Estado Democrático de Direito.
Entendemos que o mecanismo de impeachment, previsto no nosso ordenamento jurídico, é um recurso de extrema gravidade que só deve ser empregado quando houver comprovação clara e inquestionável de atos praticados dolosamente pelo chefe de governo que atentem contra a Constituição.
O processo de impeachment, aberto na última quarta-feira, 02/12, carece desta fundamentação. Não está configurado qualquer ato da Presidenta da República que possa ser tipificado como crime de responsabilidade.
Compreendemos as dificuldades pelas quais o país atravessa e lutamos para superá-las. Todavia, acreditamos que as saídas para a crise não podem passar ao largo das nossas instituições e do respeito à legalidade. Por isso, ciosos do nosso papel institucional, conclamamos o país ao diálogo e à construção conjunta de alternativas para que o Brasil possa retomar o crescimento econômico com distribuição de renda.
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