Perito conclui que Boiadeiro não trocou tiros com a polícia e foi executado
Para o médico legista, George Sanguinetti, o que ocorreu na noite da morte de Emanoel Messias de Melo Araújo, mais conhecido como Emanoel Boiadeiro, foi uma execução e não confronto policial, como atesta policiais da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), que participaram da ação. O perito apresentou na tarde desta terça-feira (20) um laudo técnico em que explica os motivos que levaram a se assegurar de “crime planejado” pela polícia.
Emanoel Boiadeiro e seu amigo, Fabrício Barbosa dos Santos, foram assassinados na madrugada do dia 1º de outubro de 2016, na cidade de Belo Monte, no Sertão de Alagoas. Na mesma noite, mais quatro pessoas foram presas.
A versão apresentada pelos policiais envolvidos no ato ocorrido naquela madrugada é a de que a ação foi desencadeada, juntamente com o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. E que os suspeitos, dentre eles Emanoel Boiadeiro, haviam reagido e trocado tiros com a polícia.
À época, os dois mortos e os quatro presos haviam sido apresentados como suspeitos de cometer assaltos a bancos. Em entrevista à imprensa na tarde desta terça-feira (20), os pais e um primo de Emanoel Boiadeiro afirmaram que desconfiaram da versão dos oficiais, pois, segundo os familiares, Boiadeiro não andava armado e eles não tinham nenhum conhecimento de que respondia a algum inquérito.
“O que houve foi uma vingança. Usaram o estado para fazer vingança pessoal”, acredita o primo, José Marcos. (Entenda o caso aqui).
O primo disse ainda que procurou o Gecoc no dia seguinte ao crime, para confirmar a versão dos policiais, mas foi informado pelo órgão que não havia nenhuma investigação ou inquérito em aberto com os nomes das vítimas do crime. Eles foram aconselhados a procurar um advogado e a buscar um perito particular para elaborar um laudo técnico. A família buscou Sanguinetti que começou a perícia.
“Solicitamos o trabalho do Sanguinetti quando começamos a ver notícias de que meu filho era assaltante de banco, tinha matado promotor, e cometido crimes. Nosso objetivo era esclarecer tudo. Porque essa seria a primeira denúncia contra ações da polícia em Alagoas, e por isso teria que ser bem elaborada”, afirma o pai da vítima que autorizou a exumação do corpo, após o laudo cadavérico.
Segundo Sanguinetti, não houve troca de tiros porque Boiadeiro foi pego desprevenido quando foi morto. Ele afirma que os tiros foram efetuados de cima para baixo, o que significa que a vítima estava deitada quando foi atingida. Ainda de acordo com o laudo técnico não há indícios de tiros de dentro do quarto em que as vítimas estavam para fora e sim o contrário. Segundo o perito, os tiros foram direcionados especificamente de fora para o quarto em que as vítimas estavam. Outro indício é de invasão a domicílio, pois a casa foi arrombada.
“Houve uma invasão do domicílio, sem ordem judicial. E mesmo que houvesse uma ordem judicial, eles não poderiam entrar na casa da vítima na madrugada e sim no outro dia, pela manhã”, explica o perito, que ressalta que houve modificações no local do crime. “Não eram amadores”. Segundo ele, não sabe se os vestígios foram retirados pela perícia do estado, ou pelos próprios autores dos disparos.
Agora a família espera o laudo cadavérico, o posicionamento do Ministério Público Estadual para dispor das diligências legais e cobrar a punição dos policiais envolvidos. O caso, logo após, deverá ser encaminhado para a comarca de Batalha.
“Nosso filho não volta mais, mas me sinto realizado porque percebo que agora eles melhoraram suas ações policiais”, afirma o pai da vítima.
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