Cibele Moura propõe transformar Feira Livre de Arapiraca em Patrimônio Cultural e Imaterial de AL
A feira também influenciou nomes importantes, como o músico Hermeto Pascoal, que identificava ali suas primeiras inspirações artísticas
A Feira Livre de Arapiraca pode se tornar oficialmente Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Alagoas. A proposta foi apresentada pela deputada estadual Cibele Moura, atendendo a pedido da ex-vereadora arapiraquense, Aurélia Fernandes, e busca reconhecer a importância histórica, social, econômica e cultural de uma das tradições mais antigas e simbólicas do agreste.
Segundo o texto do Projeto de Lei, a feira — que teve origem em 1884, ainda antes da emancipação do município — é parte essencial da formação da identidade arapiraquense. Registros históricos mostram que, no início do século XX, o movimento comercial da feira já superava o do então município-sede, Limoeiro de Anadia, contribuindo para o processo que levou Arapiraca à autonomia política em 1924.
Mais do que um espaço de compra e venda, a feira marcou gerações como ponto de encontro, convivência e cultura popular. Todas as segundas-feiras, as ruas do centro transformavam-se em cenário de intensa movimentação, reunindo agricultores, comerciantes, artesãos e visitantes de várias regiões de Alagoas e até de estados vizinhos.
O impacto social é destacado por histórias como a de Maria Fernandes, que criou nove filhos trabalhando com hortifruti, e da família de Fanda Cândia e Donizete Ferreira, que mantinha uma tradicional bodeguinha de apoio aos feirantes. São exemplos de como o espaço impulsionou sustento, autonomia e dignidade para inúmeras famílias.
A feira também influenciou nomes importantes, como o músico Hermeto Pascoal, que identificava ali suas primeiras inspirações artísticas. Em poema, ele chegou a afirmar que Arapiraca “é uma cidade que se formou em torno de uma feira”, reforçando o valor simbólico do espaço.
Mesmo com a modernização da economia local, a tradição segue viva, agora distribuída em diferentes pontos da cidade, preservando o vínculo comunitário construído ao longo de mais de um século.
Para Cibele Moura, reconhecer a Feira Livre como patrimônio cultural é “um ato de justiça e preservação da memória coletiva”, reafirmando o papel das tradições populares na construção da identidade alagoana.
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