Pai de 'Vitinho' culpa hospital por lesões e nega violência contra Maria Daniela
Versão da família confronta laudos médicos que apontam sinais de agressão e possível dopagem
O caso da jovem Maria Daniela, que ganhou repercussão em Alagoas, voltou a ser destaque após novas revelações em reportagem exibida em rede nacional. Durante a entrevista, o pai do principal suspeito, Victor Bruno, negou qualquer participação do filho no crime e atribuiu os ferimentos da vítima a profissionais de saúde.
Em conversa com o jornalista Roberto Cabrini, ele afirmou que a jovem não apresentava lesões graves antes de ser levada ao hospital. “Os ferimentos da menina foram feitos no hospital. Ela chegou no posto sem nenhum tipo de ferimento daquele”, declarou.
O pai também negou que tenha ocorrido estupro e disse que o filho prestou socorro à jovem após ela passar mal. Segundo ele, Victor Bruno não teria fugido por culpa, mas por medo de ser morto.
A versão apresentada, no entanto, entra em confronto com os relatos médicos e com os elementos apontados nas investigações.
Estado grave e indícios de violência
Maria Daniela deu entrada no Hospital de Emergência do Agreste, em Arapiraca, na madrugada do dia 7 de dezembro de 2024, em estado grave, permanecendo internada por 19 dias, sendo 6 na UTI.
Segundo a equipe médica, a jovem chegou sem roupas íntimas, com sangramento, rebaixamento do nível de consciência e diversos ferimentos pelo corpo. Também foram identificadas marcas de mordidas, além de lesões nas pernas e outras partes do corpo.
Exames toxicológicos realizados pela Polícia Científica apontaram a presença de pelo menos cinco substâncias no organismo da vítima, incluindo diazepam, haloperidol e prometazina, medicamentos com efeitos sedativos.
A defesa do suspeito sustenta que essas substâncias podem ter sido administradas durante o atendimento hospitalar. Já a equipe médica relatou que o quadro apresentado é compatível com uso de substâncias psicoativas antes da internação.
Sequelas permanentes
Atualmente, Maria Daniela enfrenta graves sequelas neurológicas. De acordo com o neurologista Leandro Barreto Izidoro, o quadro é irreversível, com dificuldades de fala, locomoção e interação social.
O especialista também apontou que as lesões cerebrais são compatíveis com possível asfixia, além de haver indícios de que a jovem pode ter sido dopada.
A própria vítima relatou mudanças profundas na rotina após o ocorrido, afirmando que não consegue mais trabalhar, estudar ou realizar atividades simples do dia a dia.
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