Mutuns-de-Alagoas chegam a reserva em Coruripe e passam por adaptação antes de soltura
Espécie ameaçada será reintroduzida na Mata Atlântica após décadas de conservação
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) acompanhou a chegada de seis mutuns-de-Alagoas, sendo três casais, à Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da Usina Coruripe, no Litoral Sul do estado. A ação faz parte do Programa de Ação Ministerial para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção.
As aves vieram de Minas Gerais no fim da tarde dessa segunda-feira (13) e, na manhã desta terça-feira (14), foram encaminhadas para viveiros de aclimatação, onde passarão por um período de adaptação antes da soltura definitiva, prevista para o mês de maio.
O programa reúne diversos parceiros, como o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), o Instituto para a Preservação da Mata Atlântica (IPMA), a Universidade de São Paulo (USP) e a iniciativa privada, incluindo a Usina Coruripe. O objetivo é evitar a extinção da espécie e promover o repovoamento das matas do sul do estado.
De acordo com o promotor de Justiça Alberto Fonseca, idealizador da iniciativa dentro do programa ministerial, o momento representa a retomada de um ciclo construído ao longo de décadas. “O Ministério Público, por meio do Programa de Ação Ministerial para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, acompanhou, junto com vários parceiros, a vinda de três casais de Mutum-de-Alagoas que, em breve, irão repovoar as matas do sul do estado. Trata-se do final de um ciclo onde retomamos a execução do Projeto de Reintrodução do Mutum-de-Alagoas, inserido nesse plano mais amplo de conservação”, destacou.
Ele relembra que o projeto teve início ainda no século passado, quando a espécie já era considerada extinta na natureza e contava com número extremamente reduzido de indivíduos em cativeiro. A partir disso, foram estruturadas ações integradas, como a criação de áreas protegidas, fortalecimento da fiscalização ambiental e desenvolvimento de estratégias de educação ambiental, criando as condições necessárias para o retorno da espécie ao seu habitat original.
Para a promotora de Justiça Lavínia Fragoso, o programa tem impacto que vai além da proteção de uma única espécie. “Quando trabalhamos com um plano dessa natureza, estamos protegendo toda a biodiversidade. Estamos falando de um esforço integrado que envolve fauna, flora, recursos hídricos e o equilíbrio dos ecossistemas. Precisamos transformar nossas matas, hoje silenciosas, em ambientes novamente vivos, pulsantes”, afirmou ela.
A ação também conta com participação da iniciativa privada. Para representantes da Usina Coruripe, a reintrodução do mutum é considerada um marco histórico para a conservação ambiental em Alagoas.
Segundo o médico veterinário Felipe Coutinho, responsável técnico pelo criatório conservacionista, o trabalho exigiu manejo genético cuidadoso, já que a espécie chegou a ter apenas cinco indivíduos. O processo permitiu a reprodução em escala e tornou possível a reintrodução.
Os animais devem permanecer cerca de 15 dias em adaptação antes de serem soltos na natureza, marcando o retorno de uma das espécies mais emblemáticas da Mata Atlântica ao território alagoano após cerca de 40 anos.

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