Após denúncias, FAF é alvo de investigação sobre movimentações financeiras suspeitas
MP/AL pediu esclarecimentos à CBF
O Ministério Público de Alagoas (MP/AL) notificou oficialmente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para prestar esclarecimentos sobre operações financeiras, repasses de recursos e a regularidade contábil da Federação Alagoana de Futebol (FAF). A medida foi motivada por denúncias divulgadas em reportagem publicada pelo site Lance!, assinada pelo jornalista Lúcio de Castro.
O procedimento é conduzido pelo promotor de Justiça Anderson Cláudio de Almeida Barbosa, que estabeleceu prazo de 20 dias para que a entidade máxima do futebol brasileiro responda a uma série de questionamentos técnicos relacionados à gestão financeira da FAF.
O foco da apuração é investigar a existência de uma suposta estrutura paralela criada no âmbito da federação alagoana para movimentar recursos financeiros, incluindo verbas públicas oriundas de emendas parlamentares e transferências feitas pela própria CBF. Segundo as denúncias, o modelo teria sido utilizado em meio a uma dívida ativa atribuída à FAF, estimada em mais de R$ 6,2 milhões.
A investigação concentra atenção no presidente da FAF, Felipe de Omena Feijó, filho do ex-presidente da entidade e atual diretor de futebol masculino da CBF, Gustavo Feijó.
De acordo com informações reveladas pela reportagem do Lance!, Felipe Feijó criou, em 2017, o Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP), uma entidade privada cuja finalidade seria administrar e receber recursos em nome da própria federação. Anos depois, em 2022, foi criado o Instituto FAF de Aprimoramento, Gerenciamento e Pesquisa (IFAGP), também chamado de Instituto Nossa Senhora das Graças.
Embora o IFAGP tenha sido desvinculado formalmente da FAF em 2024, o IFPP segue ativo e mantendo relações comerciais e institucionais com a federação.
As apurações também indicam que, além dos repasses regulares da CBF à FAF — que somaram mais de R$ 2,1 milhões em 2024, além de recursos destinados à arbitragem —, as entidades ligadas à presidência da federação receberam valores expressivos por meio de emendas parlamentares estaduais.
Informações obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Secretaria de Estado do Esporte, Lazer e Juventude de Alagoas (Selaj) apontam que foram empenhados mais de R$ 6,3 milhões em emendas parlamentares para projetos executados pelos institutos vinculados à estrutura da FAF apenas no ano passado.
No documento encaminhado à CBF, o Ministério Público solicita esclarecimentos sobre diversos pontos, entre eles o eventual conhecimento da confederação sobre a atuação dos institutos IFPP e IFAGP, possíveis relações institucionais entre as entidades, existência de auditorias ou fiscalizações, além de mecanismos de controle financeiro e programas de compliance adotados junto às federações estaduais.
O MP também quer saber se a CBF identificou irregularidades ou inconsistências nas prestações de contas da FAF entre os anos de 2023 e 2025, bem como detalhes sobre eventuais transferências financeiras realizadas à federação ou aos institutos nos últimos cinco anos.
Segundo o órgão ministerial, a ausência de respostas ou o descumprimento do prazo poderá resultar em novas medidas extrajudiciais e até no ajuizamento de ações civis públicas.
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