Flávio Bolsonaro diz que Lula 'dividiu seu poder' com Moraes em programa eleitoral
Candidato do PL fez pronunciamento no horário eleitoral desta terça-feira (15), e criticou a relação entre o governo e o Supremo
O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça-feira, 15, durante o horário eleitoral gratuito, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria dividido seu poder com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato associou o governo federal a um suposto desequilíbrio entre as instituições e criticou a atuação do Supremo.
"É triste, mas não tem como não dizer. O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes e, no fim, o Brasil ficou sem presidente nenhum, sem comando", afirmou Flávio. Na sequência, o senador disse que os problemas relacionados ao ministro do STF não seriam, na sua avaliação, o principal escândalo do País. "E o escândalo do Alexandre de Moraes, veja que absurdo, nem é o pior. Escândalo mesmo é não poder andar em paz nas ruas, porque o medo tomou conta", afirmou.
Flávio também acusou a atual gestão de ter criado um "desequilíbrio institucional", segundo ele, Lula decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei. "Não é 'à toa', que isso tudo tá acontecendo, é porque o atual governo, a gente não pode deixar de dizer, ele faz parte desse sistema que está apodrecido e a gente tá vendo esse sistema podre se revelar aos olhos de toda a nação", destacou.
O candidato afirmou que pretende apresentar alternativas em vez de apenas fazer críticas e defendeu uma mudança no País. Ao atacar o governo, mencionou ainda a promessa de aumento do poder de compra associada à picanha durante a campanha de Lula. "Sempre que me atacarem, é porque querem fugir da vergonha de assumir a decepção que causaram no povo brasileiro, que foi iludido por uma picanha que nunca chegou".
O pronunciamento ocorre no mesmo dia em que o STF se reúne em sessão plenária extraordinária para analisar o pedido do ministro André Mendonça de abertura de investigação sobre as relações de Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Investigação sobre 'Dark Horse'
Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração foi autorizada pelo ministro André Mendonça e está inserida na investigação que acompanha desdobramentos das suspeitas de fraudes atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e suas conexões políticas.
Em áudios divulgados pelo Intercept Brasil, Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar o projeto do filme. Segundo a Polícia Federal, mais de R$ 60 milhões foram pagos.
Há ainda outra investigação no Supremo relacionada ao filme, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que apura o custeio da produção com emendas parlamentares. Trata-se de uma frente distinta daquela em que Flávio é investigado.
A investigação sobre o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo desdobramento no domingo, 13, quando o ministro Flávio Dino retirou o sigilo de documentos encaminhados ao STF pela Justiça de São Paulo. Com a decisão, passaram a ser públicos elementos reunidos pela Polícia Civil paulista durante a apuração, incluindo informações obtidas em diligências realizadas em endereços ligados a empresas e entidades relacionadas à produção.
A investigação teve origem na Operação Wi-Fi, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em junho para apurar suspeitas de desvio de recursos públicos que teriam sido destinados à produção do longa-metragem. Entre os locais vistoriados estava um endereço comercial associado a empresas ligadas à produtora Karina Ferreira da Gama e ao Instituto Conhecer Brasil, organização da qual ela é presidente.
Segundo o relatório policial, os agentes constataram que duas das empresas investigadas não funcionavam no endereço indicado e que o cadastro do instituto estava cancelado.
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