Bastidores
Com "pacote de bondades", mesa diretora da câmara de Maceió terá 90 assessores
Galba Neto, presidente da casa, afirmou que só fala sobre o assunto quando voltar das férias
O vereador maceioense Leonardo Dias (PSD) certamente não é um ser humano muito admirado por seus colegas vereadores na câmara de Maceió, após a entrevista que concedeu nesta terça (11), aos jornalistas Abidias Martins e Ellen Cipriano no programa Antena Manhã, da rede de rádios Antena 7.
Autor de votos contrários a vários pontos do projeto, votado no apagar das luzes de 2021, Leo Dias desnudou o “pacote de bondades” da câmara, sendo até agora o único parlamentar que falou sobre o assunto.
E segundo ele, há mais benesses neste pacote do que se sabia até agora, diante do silêncio dos demais 23 colegas e do presidente da casa, vereador Galba Neto (MDB). Segundo a Rede Antena 7, que tentou entrar em contato com ele, a resposta é de que “o vereador está de férias e só irá se manifestar quando a câmara for notificada oficialmente”.
O “pacote de bondades” da câmara foi questionado judicialmente na semana passada, por um grupo de advogados maceioenses. E nesta terça, pelos mesmos motivos, a 15ª promotoria da Fazenda do Ministério Público Estadual (MP-AL) também questionou junto a justiça pontos do projeto.
A peça, aprovada no âmbito da Lei Orçamentária Anual de 2022, prevê para mesa diretora e vereadores os seguintes benefícios:
- - Aumento do duodécimo da casa em 35,5% em um ano – de R$ 62 milhões para R$ 84 milhões de reais; como parâmetro, a inflação acumulada em 2021 divulgada nesta terça pelo IBGE foi de 10,06%;
- - Pagamento de 13º salário para os vereadores já a partir de 2022;
- Aumento de 25 cargos de livre nomeação (comissionados) para a mesa diretora da casa, que segundo o vereador, já tem 65 comissionados à sua disposição); - - Aumento da Verba Indenizatória (VIAP) de 42,8% - de R$ 10,5 mil para R$ 15 mil para cada vereador mensalmente;
- - Aumento da Verba de Gabinete – recurso específico para pagar mais servidores comissionados, até o limite de 17 por gabinete. Esse valor subiu de R$ 69 mil para 75,6 mil (aumento de 9,5%)
Com todos estes penduricalhos, a mesa diretora da casa de Mário Guimarães pagará a cada vereador, além do seu salário de R$ 15.031,76 mais R$ 90,6 mil para os custos de seu gabinete. Ou seja, cada vereador da capital custará ao erário público em 2022 cerca de 105,7 mil reais mensais, ou R$ 1,26 milhões de reais por ano.
Leo Dias fez mais uma advertência importante: mesmo que a justiça suspenda os aumentos e repasses de verbas a vereadores, se não suspender também o aumento do duodécimo da casa, os recursos continuarão sendo repassados pelo município, ficando livres à disposição da mesa diretora.
Algumas perguntas requerem respostas, mas elas precisam ser dadas pelo presidente da casa, que não se interessa em interromper suas férias para dar alguma declaração.
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