Alberto Sandes

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Endometriose: um alerta para o coração da mulher

O impacto da endometriose vai além do útero. Ela toca o coração, literalmente

09/09/2024 15h03 - Atualizado em 09/09/2024 15h03
Endometriose: um alerta para o coração da mulher

Endometriose e doenças cardíacas. O que essas duas condições aparentemente tão diferentes têm em comum? Muito mais do que imaginamos. Novas evidências científicas apontam que mulheres com endometriose têm um risco 20% maior de sofrer com problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A pesquisa, realizada no Hospital Rigshospitalet da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, foi apresentada no Congresso Europeu de Cardiologia (ESC 2024), e lança luz sobre uma importante conexão que muitas vezes passa despercebida.

A endometriose, que afeta uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endometrial fora do útero. Ela pode causar dores incapacitantes, irregularidades menstruais, infertilidade e, agora sabemos, está associada a um maior risco cardiovascular.

Mas por que isso acontece? A explicação está, em parte, na inflamação crônica que a endometriose causa no corpo. Sabemos que a inflamação é um fator chave no desenvolvimento de doenças cardíacas e, em mulheres com endometriose, o processo inflamatório parece ser mais intenso e prolongado. Além disso, essa condição pode levar a alterações hormonais e ao uso prolongado de tratamentos hormonais, como anticoncepcionais, que podem impactar a saúde do coração.

No cotidiano feminino, isso significa que mulheres com endometriose precisam estar ainda mais atentas à sua saúde cardíaca. O controle da inflamação deve ser uma prioridade, e pequenos hábitos podem fazer uma grande diferença. Praticar atividade física regularmente — com pelo menos 150 minutos de exercícios por semana, como recomendam as diretrizes da Organização Mundial da Saúde — é essencial. O exercício físico ajuda não só a controlar a inflamação, mas também melhora a saúde cardiovascular de maneira geral.

Outro ponto importante é a alimentação. Uma dieta rica em alimentos anti-inflamatórios, como frutas vermelhas, peixes ricos em ômega-3, vegetais crucíferos e oleaginosas, pode ajudar a minimizar os efeitos da inflamação no corpo. Evitar alimentos ultraprocessados, que podem aumentar o processo inflamatório, também é crucial.

Além disso, o manejo adequado da endometriose é fundamental. Procurar atendimento médico especializado, como o de um ginecologista ou um profissional de saúde da mulher, é o primeiro passo para um diagnóstico correto e um tratamento eficaz. Isso inclui desde o controle da dor até a proteção da saúde a longo prazo, prevenindo complicações que possam surgir.

O impacto da endometriose vai além do útero. Ela toca o coração, literalmente. E o conhecimento é a chave para que essas mulheres possam tomar as rédeas de sua saúde de maneira integral. Afinal, cuidar do corpo e da alma é cuidar também do coração.

Sobre o blog

Professor Alberto Sandes, MD
Mestre em Ensino à Saúde • Portugal
Especialista em Saúde da Mulher
Endocrinologia Ginecológica
Nutrologia
Medicina do exercício e do esporte
Bem-estar feminino e longevidade
CRM 5953-AL | RQE 2816

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