A Meia-Irmã Feia: a Cinderela mais nojenta que estreou nos cinemas
Terror corporal norueguês, apontado como novo A Substância, está em cartaz em cinemas de todo o Brasil
O conto da Cinderela ganhou mais uma adaptação. Agora, o conto de fadas estreia na versão mais ácida, pertubadora e nojenta até então. A Meia-Irmã Feia chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (23/10) e promete ser um dos grandes destaques do gênero do terror nas telonas neste ano.
Desde que estreou com destaque no Festival de Sundance (e 96% de aprovação no Rotten Tomatoes), o filme é apontado como o novo A Substância — sucesso de 2024 estrelado por Demi Moore e indicado a cinco categorias no Oscar. As comparações se devem tanto ao gênero, o body horror (terror corporal), quanto às críticas que ambos fazem às pressões estéticas impostas às mulheres na sociedade.
A trama desta vez foca na invejosa filha da Madrasta Má de Cinderela, Elvira (Lea Myren). Obcecada em se casar com o Príncipe Encantado, ela faz tudo ao alcance para tentar ser tão bonita, magra e bem-vestida quanto a meia-irmã — com direito a vômitos, mutilação e vermes.
Em seu primeiro projeto como diretora, Emilie Blichfeldt equilibra muito bem elementos macabros resgatados da versão do conto escrito pelos irmãos Grimm, no século XIX, enquanto também subverte referências ao clássico da Disney que marcou gerações.
Uma das partes nojentas e marcantes é quando Elvira engole um ovo de tênia para emagrecer. “Quando Elvira come o ovo, é uma metáfora para ela internalizar aquele olhar objetificador. Aquele verme dentro dela a devora, tanto metaforicamente quanto fisicamente”, contou a cineasta ao The Hollywood Reporter. (Fim dos spoilers).
A história não depende apenas das cenas grotescas, que existem, mas ficam reservadas ao último ato — para decepção dos fãs de gore e alegria dos espectadores mais sensíveis. Nos primeiros dois terços do longa, a fotografia e direção de arte nos levam ao conto de fadas que Elvira de fato acredita com todas as forças ser a protagonista. A ingenuidade e esperança da personagem são motivos de dó, deixando cada vez mais difícil e doloroso assistir às cenas de humilhação e tortura pelas quais ela passa, que ficam progressivamente mais explícitas.
Cinderela, ou melhor Agnes (Thea Sofie Loch Næss), não é esquecida pela trama. A verdadeira princesa é uma personagem inteligente e bem construída, com mais camadas que a versão original se propõe. Os momentos em que retoma o protagonismo são poucos, mas bem executados e extremamente impactantes.
Os fãs de terror e contos de fadas finalmente podem curtir uma sessão juntos no cinema. A obra se aproveita dos melhores elementos de ambos e cria uma narrativa envolvente e que surge, inclusive, com boas chances de conquistar destaque na premiação do Oscar em 2026.
A Meia-Irmã Feia foi um dos primeiros filmes a serem disponibilizados aos votantes do Oscar, em setembro, e pode ser reconhecido em categorias como Melhor Roteiro Original, Fotografia, Figurino e Direção de Arte.
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