Estudo utiliza injeção com microbolhas de gás para combater infarto
Um inusitado tratamento contra infarto que usa uma injeção com cerca de 2 bilhões de microbolhas de gás é seguro e eficaz na desobstrução dos vasos sanguíneos e ainda melhora a função do coração, aponta um novo estudo.
O artigo, de autoria de brasileiros em parceria com um pesquisador americano, sairá nesta segunda (23) em uma das principais revistas científicas de cardiologia do mundo, o "Journal of the American College of Cardiology".
As microbolhas funcionam como uma espécie de dinamite que explode o coágulo (que impede a circulação sanguínea e causa o infarto). Elas são injetadas e correm livremente pelos vasos sanguíneos até se depararem com esse bloqueio, e ali se acumulam. Aí entra um aparelho de ultrassom, que é colocado no peito do paciente e faz com que as microbolhas vibrem e destruam o coágulo, liberando novamente a passagem para o sangue.
A ideia surgiu há cerca de 20 anos, quando um grupo no Canadá mostrou, em ensaios in vitro, que as bolhas expostas a um campo de ultrassom podiam romper coágulos.
Em 2004, pesquisadores da Universidade de Nebraska (EUA) testaram a técnica em animais. Em 2014 foram iniciados os testes em humanos, numa parceria do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP) com os americanos.
Durante o estudo, pacientes que chegavam ao pronto-socorro do hospital com infarto agudo eram convidados a participar da pesquisa. Caso concordassem em se submeter ao novo tratamento, recebiam a injeção de microbolhas e o ultrassom até que fossem chamados para receber a terapia convencional, que inclui medicamentos e angioplastia para desobstrução das artérias coronárias.
Os resultados preliminares do estudo, que avaliou a segurança da técnica, mostram que aqueles que receberam a injeção tiveram maiores índices de abertura da artéria obstruída e de recuperação do miocárdio quando comparados àqueles que não passaram pela técnica mas receberam o tratamento convencional.
"A terapia também conseguiu romper os coágulos menores que se soltam do coágulo maior. Eles vão obstruindo os 'ramos' da coronária e são inacessíveis pela angioplastia", diz Wilson Mathias Jr., diretor da unidade de ecocardiografia do Incor e coordenador-chefe da pesquisa.
Roberto Kalil Filho, presidente do Incor, lembra que o infarto é a doença que mais mata no mundo, apesar da tecnologia e dos medicamentos disponíveis hoje. "Cada segundo de artéria fechada é mais tempo de coração morrendo. Quanto antes você conseguir abrir a artéria e jogar o sangue de novo ali, maior a sobrevivência e menor o risco de sequelas", afirma. "Esse é mais um método para ajudar a salvar vidas, e esses resultados iniciais mostram que ele é bom, simples e sem riscos."
O cardiologista do HCor (Hospital do Coração) e professor da USP Leopoldo Piegas, que não esteve envolvido no trabalho, avalia a técnica como promissora. "O trabalho tem um resultado impressionante, impactante. Houve melhora na abertura das artérias, na função do ventrículo esquerdo do coração e na contratura do músculo, o que sugere uma melhora da circulação. Toda técnica que ajudar a abrir artérias no tratamento do infarto é bem-vinda", diz.
"Mas é um trabalho inicial, que precisa ser replicado com mais pacientes até para observar possíveis efeitos colaterais num grupo maior." Ele lembra que outro trabalho que avaliou a técnica apontou efeitos adversos, como um espasmo na artéria coronária que causou sua constrição –coisa que não ocorreu no trabalho feito no Incor.
Os resultados publicados têm como base o tratamento de 30 pessoas. Hoje o Incor já tem 42 pacientes e o hospital pretende chegar a cem. José Luiz Eusébio, 47, foi um dos pacientes que participou do estudo. Em janeiro de 2015, o acupunturista estava na região do Anhangabaú, em São Paulo, quando começou a passar mal. Pegou o metrô e deu entrada no pronto-socorro do Incor, onde soube que estava tendo um infarto.
Na sua família, outras três pessoas tinham tido o problema. Desde então, mudou hábitos: começou a praticar artes marciais e já perdeu 18 kg.
Tanto Kalil como Mathias apontam para a possibilidade de a terapia ser usada em centros não especializados, como postos de saúde, e em ambulâncias, pelo fato de não oferecer risco de hemorragia como certos medicamentos. "Se comprovar eficácia em outros estudos, acredito que o tratamento será aprovado rapidamente. Aí é só uma questão de entrar no mercado e ver o custo", diz Kalil.
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