Portugal é o quinto país mais pacífico para se viver; Brasil está no 105º lugar
O Global Peace Index (GPI), lançado ontem pelo Institute of Economics and Peace (IEP), mostra que o mundo, pelo segundo ano consecutivo, está menos pacífico. Os níveis de tranquilidade se aproximam dos valores registrados em 2012, quando os indicadores apontaram o patamar mais baixo desde o início da pesquisa, há dez anos. A pesquisa analisou 163 países em 23 indicadores diferentes, entre eles os conflitos nacionais e internacionais; a segurança e a proteção na sociedade; e o nível de militarização dos países.
A Europa é a região mais pacífica do mundo, segundo o documento, tendo seis países classificados entre os sete primeiros do ranking global. Em relação ao ano anterior, Portugal foi o país que registrou maior melhora entre os europeus, saltando nove posições e se classificando como o quinto mais pacífico do mundo para se viver.
Portugal ficou atrás apenas de Islândia, Dinamarca, Áustria e Nova Zelândia, os quatro primeiros do ranking, respectivamente. A Síria é o menos pacífico, seguido do Sudão do Sul, Iraque, Afeganistão e Somália.
Um dos indicadores que contribuíram para a subida de Portugal no ranking foi a diminuição da instabilidade política. No entanto, 39 países do mundo apresentaram piora neste tópico. E o Brasil foi um deles.
“Um caso impressionante deste ano foi o Brasil, onde o gatilho [para o aumento da instabilidade política] foi um grande escândalo de corrupção. No Brasil, um aumento de 15% na instabilidade política, associado à deterioração tanto da taxa de encarceramentos quanto do número de policiais, aponta uma tendência preocupante, faltando apenas alguns meses para o início dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro”, mostra o estudo.
No ranking dos países mais pacíficos para se viver, o Brasil está na 105ª posição global e na 9ª colocação entre os onze países da América do Sul analisados, ficando à frente apenas de Venezuela e Colômbia. No ranking global, a Venezuela ficou com a 143ª posição e a Colômbia, na 147ª.
A diminuição na tranquilidade dos países não foi distribuída uniformemente ao redor do mundo. Segundo o estudo, 77 países tornaram-se mais pacíficos, enquanto 85 apresentaram piora no indicador. A região com maior deterioração da paz foi o Oriente Médio e o norte da África.
“A maioria destas alterações foram vinculadas ao conflito na Síria e ao aumento do número de refugiados e deslocados internos. Tendo em conta os níveis crescentes de terrorismo e de grande deslocamento da população causada por conflitos, esta tendência deve continuar num futuro próximo”, aponta o documento.
O número de refugiados e pessoas desalojadas aumentou dramaticamente nos últimos dez anos e representa aproximadamente 60 milhões de pessoas entre 2007 e 2016, quase 1% da população mundial. Na Síria, mais de 60% da população está desalojada.
O número total de mortes por terrorismo subiu de menos de dez mil em 2008 para mais de 30 mil em 2014. “O terrorismo está em níveis históricos. As mortes em conflitos estão no 25º ano de aumento e o número de refugiados está a um nível não visto em sessenta anos."
Outro dado preocupante é o número de mortes por conflitos internos, que aumentou consideravelmente na última década. Enquanto que entre 2005 e 2006 foram registradas pouco menos de 36 mil mortes, em 2014 e 2015 este número subiu para mais de 305 mil mortes. Segundo o estudo, grande parte do aumento é resultado do conflito na Síria.
De acordo com o GPI, o impacto econômico da violência sobre a economia global em 2015 foi de 13,6 trilhões de dólares. Este valor representa 13,3% da atividade econômica do mundo (Produto Mundial Bruto) e representa cerca de 11 vezes o tamanho do investimento direto estrangeiro.
O estudo mostra ainda que o Brasil gasta 14% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para arcar com os custos da violência e está entre os 32 países piores colocados nesse indicador. Portugal, por exemplo, gasta 5% e está na 121ª posição. A Síria é o pior colocado, gastando 54% do seu PIB com os custos da violência. Os melhores colocados, entre 163 países analisados, são Indonésia, Canadá e Islândia, que gastam 2%.
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