Acusado de matar ex-companheira grávida é condenado a mais de 27 anos de prisão
Em outubro de 2014, um crime bárbaro chocou a população de Jacuípe. Um homem golpeou a namorada diversas vezes com uma arma branca. A vítima estava grávida e não resistiu a gravidade dos ferimentos. Cerca de um ano e oito meses após o homicídio, o suspeito Gustavo José dos Santos foi a julgamento nesta quinta-feira (07), em sessão presidida pelo juiz José Eduardo Nobre Carlos, titular da 2ª Vara da Comarca de Porto Calvo. O réu negou ter conhecimento da gravidez e acabou condenado a 27 anos, cinco meses e sete dias de prisão, inicialmente em regime fechado, por homicídio qualificado e aborto provocado por terceiro.
Grávida do suspeito, Genílsula Marques da Silva, 18, de acordo com a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MP/AL), recebeu diversas facadas na região do abdômen, foi socorrida e encaminhada para um Hospital em Porto Calvo, mas acabou não resistindo aos ferimentos.
O crime teria acontecido, segundo testemunhas, em uma via pública quando o casal saía de uma festa. A possível motivação do crime teria sido por uma crise de ciúmes. Gustavo, que é réu confesso, disse em depoimento após ser detido que estava embriagado no momento do crime.
O julgamento
Os jurados rejeitaram a tese da defesa de que o réu não sabia da gravidez de Genílsula Marques da Silva quando foi assassinada a facadas. Gustavo dos Santos não poderá recorrer em liberdade.
Ao prestar depoimento, a mãe da jovem, Lucicleide Marques da Silva, disse que a filha e o réu conviveram por cerca de dois anos. Ela afirmou ainda que Genílsula resolveu terminar o relacionamento devido às agressões que vinha sofrendo.
“Ele gostava muito de bater nela e ela corria lá pra casa. Depois, ele pedia pra ela voltar dizendo que não ia mais mexer com ela”. Ainda segundo a mãe da vítima, o réu agredia e ameaçava constantemente toda sua família. “Um dia 'deu' no meu marido, em mim e nela. Chegava na minha casa armado de faca ameaçando minha menina. Ele disse que só sossegava quando acabasse com a vida dela e que se ela não fosse dele não seria de mais ninguém”, completou.
O irmão da vítima, Carlos Marques, afirmou que Gustavo também ameaçava matar o próprio filho quando estava com raiva de Genílsula e que sua mãe está com a guarda da criança. “Eles moravam de aluguel em uma casa e ele batia nela quando chegava 'cheio' de cachaça. Em uma briga, ele jogou o filho para cima e eu peguei no ar. Já agrediu minha mãe, meu padrasto e outro irmão”, contou.
Outras três testemunhas confirmaram que todos na cidade sabiam que Gustavo era violento com a vítima e a família e que Genílsula sempre tinha hematomas no corpo. O promotor de Justiça Adriano Jorge de Barros lamentou a frequência desse tipo de crime contra a mulher na sociedade.
“Mais um desdobramento dessa velha questão que enfrentamos que é a violência doméstica. Foi um crime grave, que chocou a população. O réu fugiu do local, depois teve que se entregar porque não tinha mais onde ficar e está preso até hoje”, afirmou o promotor.
A defesa do réu foi feita pela defensora pública Elaine Zelaquett. Ao se entregar à polícia, Gustavo confessou o crime e alegou que o cometeu porque estava embriagado.
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