Presos em operação antiterror estudaram construção de bombas, diz procurador
Os suspeitos de associação com terrorismo presos durante a Operação Hashtag compartilharam materiais que ensinavam a como construir uma bomba e disseram que a Olimpíada era a oportunidade de irem para o paraíso, de acordo com o procurador responsável pela operação, Rafael Brum Miron.
"Todos eram bem agressivos e diziam a mesma coisa: 'temos que matar infiéis, aproveitar olimpíadas para irmos para o paraíso' e enviavam vídeos de assassinatos. E também repassaram entre eles instruções e fórmulas para fazer bomba", detalhou Brum Miron, em entrevista à Folha.
Segundo o procurador, em vários momentos, eles frisaram a necessidade de atuarem isoladamente, reforçando o perfil de lobos solitários.
Miro pondera, no entanto, que o grupo não possuía poderio financeiro nem as investigações mostram que eles estavam prontos a agir imediatamente. "Não temos ninguém comprando passagem para Rio, por exemplo. Nenhum deles era rico, eles não tinha recursos. Eles queriam viajar para a Síria e também não tinham dinheiro", afirmou.
O procurador contou ainda que o trabalho foi facilitado pela cooperação do FBI (polícia federal americana), que enviou ao Brasil os nomes que os integrantes do grupo usavam na internet.
Outro ponto que agilizou a investigação foi um email anônimo, contendo diálogos dos suspeitos, que chegou às mãos dos investigadores. Parte deles também publicou em sites abertos informações sobre suas relações com o islamismo, entre elas um comunicado de que havia passado pelo chamado batismo virtual.
AMADORES
Questionado sobre como avaliou o fato de dois ministros (Justiça e Defesa) terem se referido aos suspeitos como amadores, Miron não discorda, mas ressalva que isso não significa que não representasse alguma ameaça.
"Não existe suicida experiente. Ninguém estará preso 30 dias, se não oferecer risco. Quem é profissional disso (terrorismo)? Eles eram muito voluntaristas, diziam 'vamos fazer isso e aquilo".
O procurador disse ainda que, embora não fossem líderes de fato e direito, dois deles tinham uma "participação proeminente", sobretudo o que convocou os demais a aprenderem artes marciais e tiro.
"Ele chegou a dizer que já tinha até um lugar para treinarem, mas não acredito. Acho que não tinham nem dinheiro para ficar só fazendo isso, sem trabalhar", acrescentou.
Miron confirmou que houve quebras de sigilos dos investigados e que as empresas de tecnologia, como o Facebook, contribuíram com informações "mais do que o usual". Ainda assim, para ele, a colaboração esteve longe do ideal.
"Empresas colaboraram muito mais do que num trabalho de corrupção, por exemplo. Nesse caso não botaram tanto impedimento, mas mandaram diálogos e não enviaram alguns anexos. Tinha que colaborar mais do que colaboraram", avaliou o procurador.
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