Procuradoria vai buscar suspensão imediata de decisão que bloqueou R$ 8,8 mi do Estado
A Procuradoria Geral do Estado informou que teve acesso a decisão de bloqueio de R$ 8.800.133,62 da conta de Alagoas, para regularizar o abastecimento do estoque das medicações de fornecimento obrigatório pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), apenas durante a tarde desta quinta-feira (25), e que vai buscar a suspensão imediata da ordem. O Governo afirmou que a medida representa um risco à economia pública e à população.
A decisão judicial beneficia os pacientes cadastrados no Componente Especializado de Assistência Farmacêutico (CEAF), antiga Farmex. A ação foi impetrada pela da 26ª Promotoria de Justiça da Capital e deferida pelo juiz de Direito Helestron Silva da Costa, da 17ª Vara Cível da Capital/Fazenda Estadual, após análise do processo.
O magistrado também determinou o bloqueio de R$ 2.013,63 da conta do ente estatal, que corresponde ao valor do orçamento mais barato de três ampolas da medicação de Leuprorrelina 3,75mg. O fármaco é necessário para o tratamento médico da paciente Najara Cristina Moreira da Silva pelo período de três meses.
A decisão teria atendido em parte o requerimento do MPE/AL. Isso porque o órgão ministerial pediu para que o bloqueio tivesse início pela verba reservada à promoção de mídias e campanhas do governo estadual. Os recursos estão previstos no Decreto nº 48.479/2016 do Governo do Estado de Alagoas, que abriu crédito suplementar para a Secretaria de Estado da Comunicação aumentar o número de peças publicitárias em ano eleitoral.
“Temos certeza de que estamos diante de tamanha injustiça e temeridade com o Estado de Alagoas, que, além de descumprir a legislação pertinente às políticas públicas de saúde e a ordem judicial de garantir medicamentos imprescindíveis à vida de milhares de pacientes, decreta a abertura de crédito suplementar de milhões de reais para veicular propagandas em horário nobre. Tais peças servirão exclusivamente para retratar 'benfeitorias' realizadas pelo governo estadual e promover a imagem pessoal de governantes, sem cunho educativo, enquanto a realidade está ao lado de incontáveis alagoanos que padecem à espera da assistência do Sistema Único de Saúde”, disse a promotora de Justiça Micheline Tenório.
Depois das verbas de publicidade e marketing, a promotora pediu que o bloqueio seguisse pelos recursos de contingência e de gabinete. Caso eles fossem insuficientes, o órgão ministerial requereu que se debite o montante da conta única do tesouro estadual, mas sem prejuízo das execuções das demais políticas públicas de saúde no âmbito do Estado de Alagoas.
Segundo a Procuradoria Geral do Estado, a tentativa de suspensão imediata da decisão ocorre por o Governo entender que o bloqueio de contas públicas na quantia determinada, é fato que, por si só, representa risco à economia pública e prejuízo à população como um todo, sobretudo em tempos de crise econômica nacional.
“Vale ressaltar que as ordens judiciais para tratamento médico ou fornecimento de medicamentos indispensáveis à manutenção da saúde e da vida têm sido cumpridas pelo Estado de Alagoas, e que a própria PGE criou no ano passado um Núcleo Avançado que funciona na sede da Sesau com o intuito de dar maior agilidade aos processos de aquisição de medicamentos”, informou em um trecho da nota.
Montante necessário
O valor do bloqueio teve como base o orçamento apresentado pela própria Secretaria Estadual de Saúde ao Ministério Público para concretizar o abastecimento das medicações do CEAF. Tais produtos estão legalmente previstos nos Anexos da Portaria nº 1.554/13 do Ministério da Saúde, nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do órgão federal e na Lista de Medicamentos Especializados Padronizados da Secretaria de Estado, lastreada também por protocolos clínicos estaduais, tal como o de Dispensação de Análogos de Insulina.
Como no orçamento da Sesau deixou de mencionar os medicamentos em falta desde a propositura da ação civil pública nº 0711562-09.2015.8.02.0001, ajuizada pela 26º Promotoria de Justiça da Capital em maio de 2015, o órgão ministerial também requereu a intimação da secretária estadual de Saúde para que ela apresente relação atualizada dos fármacos.
Diante da constante falta de medicamentos que deveriam ser fornecidos CEAF para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o MPE/AL, por meio da 26º Promotoria de Justiça da Capital, pediu o bloqueio de contas do Estado no valor dos itens indispensáveis à sobrevivência dos usuários.
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