Brasil e Uruguai se reúnem e buscam plano para flexibilizar Mercosul
Decisão foi a maior novidade anunciada após o encontro entre os presidentes Michel Temer e Tabaré Vázquez
Os países do Mercosul estão dispostos a flexibilizar o bloco de forma a permitir que cada um de seus integrantes possa fazer acordos comerciais com outras nações sem que todos os sócios tenham que participar.
Atualmente, qualquer negociação comercial com terceiros países tem que ser feita com a participação de todos os quatro sócios fundadores (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).
Em condições normais, também o quinto sócio, a Venezuela, deve participar, mas no momento, como o país está virtualmente suspenso do bloco, não toma parte nos entendimentos.
A decisão de buscar a flexibilização foi a maior novidade anunciada após o encontro entre os presidentes Michel Temer (Brasil) e Tabaré Vázquez (Uruguai) na segunda-feira (19) em Nova York, onde ambos participaram da Assembleia Geral da ONU.
"Avançamos em estudar um processo de integração mais aberto, que permita aos integrantes buscar acordos bilaterais por fora do bloco", informou Vázquez ao jornal uruguaio "El Observador".
PRAGMATISMO
O encontro entre Vázquez e Temer serviu também para dar por superado o mal-estar entre os dois países causado pelo impeachment de Dilma Rousseff, que o governo uruguaio considerou "uma grande injustiça".
Não que o Uruguai tenha mudado de opinião, mas prevaleceu o pragmatismo: "Negócios são negócios", disse o presidente uruguaio ao "Observador", antes mesmo de se reunir com o brasileiro.
Depois explicou melhor: "O Brasil é nosso principal comprador junto com a China. E, se nos damos mal com o Brasil, onde vamos vender o que vendemos a eles? À parte discrepâncias políticas momentâneas, temos que olhar para a frente no relacionamento com o Brasil".
O encontro entre os dois mandatários serviu também para confirmar o que estava acertado há algum tempo sobre as negociações Mercosul/União Europeia: o Uruguai continuará coordenando os entendimentos, apesar de não ser mais o presidente de turno do bloco sul-americano.
O acordo com os europeus é prioridade para todos os países do Mercosul. Em outubro, haverá nova reunião negociadora, em Bruxelas, a primeira sob a presidência de Temer. Servirá para medir a temperatura das negociações, lançadas há 15 anos, mas que registraram poucos avanços nesse período.

VENEZUELA
Vázquez comentou também que a coalizão de que faz parte, a esquerdista Frente Ampla, acabou aceitando a solução encontrada pelos chanceleres do Mercosul de dar prazo até dezembro para que a Venezuela incorpore à sua legislação interna o conjunto de normas do conglomerado, conforme se comprometeu ao ser admitida há quatro anos.
Se não o fizer, será suspensa, o que parece inevitável, já que, na profunda crise em que vive, a Venezuela não terá condições de adotar medidas de grande alcance.
Setores da Frente Ampla se opunham ao veto à presidência de turno da Venezuela, neste segundo semestre, mas, tão pragmaticamente como Vázquez, acabaram se rendendo, ante a evidência de que não havia como o Uruguai enfrentar sozinho a resistência conjunta de Argentina, Brasil e Paraguai.
Para selar a normalização das relações bilaterais, Vázquez aceitou o convite de Temer para visitar o Brasil, o que, no entanto, só acontecerá no ano que vem.
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