Imigrantes, muçulmanos e Rússia são tema de embate entre Clinton e Trump
Candidatos se enfrentaram na corrida pela Casa Branca em segundo debate para as presidenciais
A democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump, adversários na corrida pela Casa Branca, se enfrentaram neste domingo (9) em um segundo debate de campanha para as presidenciais de novembro, marcado por troca de hostilidades e uma tensão extraordinária.
Em uma demonstração do ambiente que domina as exposições, os dois candidatos visivelmente evitaram apertar as mãos ao chegar ao recinto do debate na Universidade Washington em St. Louis, no Missouri.
As polêmicas em torno do tratamento a ser dado a muçulmanos e imigrantes foram alguns dos temas tratados durante o debate, que durou pouco mais da 1h30 prevista.
Durante sua campanha, Trump chegou a defender que imigrantes muçulmanos e refugiados fossem proibidos de entrar no país, no auge da crise humanitária que atinge a Síria e alguns países vizinhos. O êxodo da população nesta parte do mundo, motivada pela guerra sangrenta entre defensores do regime de Bashar al Assad, líder sírio, e forças rebeldes, é considerado o maior desde a Segunda Guerra Mundial.
Sobre que medidas tomará caso seja eleito presidente, foi perguntado a Trump se ele mudou de ideia quanto a proibir a entrada nos EUA de muçulmanos. O megaempresário evitou dar uma resposta contundente.
"O banimento a muçulmanos é algo que, de certa forma, se transformou em uma investigação extrema", ele disse.
"Por favor, explique", disse a jornalista Martha Raddatz, da ABC, uma das moderadoras do debate, insistindo para que Trump respondesse.
"Isso se chama investigação extrema", ele explicou, afirmando que a crise na Síria estava enviando indivíduos questionáveis aos EUA como refugiados.
"Vamos para áreas como a Síria, porque Clinton e Obama querem deixar as pessoas entrarem sem saber quem elas são e o que sentem por nosso país", ele disse, sem dar detalhes de como seria realizada esta ação na Síria nem se ela seria, por exemplo, uma atividade militar.
Clinton, ao responder sobre o mesmo tema, foi algumas vezes interrompida pelo oponente, que teve a atenção chamada pelos moderadores do encontro.
A candidata afirmou, sobre o acesso de refugiados ao país, que não vai deixar entrar "ninguém que seja um risco".
"[O controle] vai ser rígido como deve ser, com apoio da nossa inteligência. Mas há crianças sofrendo. Por causa das agressões da Rússia, nós temos que fazer a nossa parte. O que Trump diz sobre muçulmanos é usado para recrutar guerrilheiros", ela atacou.
Síria e Rússia
Enquanto Clinton abertamente criticou as ações militares da Rússia na Síria, aliada de Assad, Trump bateu na tecla de que "o mais importante é destruir o Estado Islâmico".
"Há um esforço determinado dos russos de destruir Aleppo [cidade síria que é reduto da oposição] e os rebeldes que estão lá. Temos de trabalhar mais de perto com nossos aliados em terra", defendeu a democrata.
"Eu não gosto de Assad", disse Trump, "mas ele está matando o Estado Islâmico, a Rússia está matando o EI, o Irã está matando o EI".
Hillary Clinton afirmou que a Rússia invadiu sistemas cibernéticos americanos para influenciar a eleição presidencial de 8 de novembro a favor de Trump.
"Acreditem, eles não estão fazendo isto para que eu seja eleita. Estão fazendo isto para influenciar a eleição a favor de Donald Trump", disse a ex-secretária de Estado. Em resposta, Trump disse que esta versão era "ridícula".
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