Furacão muda foco de militares brasileiros que atuam no Haiti
Até o último sábado (8), cerca de 600 dos 970 brasileiros que estão no país trabalhavam nas áreas afetadas
A missão brasileira de paz no Haiti, baseada na capital, Porto Príncipe, destacou a maior parte de seu efetivo para ajudar as vítimas do furacão Matthew, que atingiu principalmente o sul do país na última semana e deixou pelo menos 900 mortos.
Até o último sábado (8), cerca de 600 dos 970 militares brasileiros que estão no Haiti trabalhavam nas áreas afetadas.
Normalmente, os membros da Minustah (Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti) ficam alocados em Porto Príncipe. A cidade teve 90% de seus prédios destruídos pelo terremoto de 2010, que matou cerca de
220 mil pessoas, e não foi totalmente recuperada desde então –andando pela cidade ainda é possível ver vários pontos de destruição.
Como, porém, Porto Príncipe praticamente não foi atingida pelo furacão, os esforços agora se concentram no sul do país. Além de levar suprimento e assistência às vítimas, os grupos de ajuda estão trabalhando para reabrir as estradas que foram bloqueadas pelo desastre.
Militares brasileiros que estiveram nesses locais os descreveram à Folhacomo "um cenário de guerra". Segundo eles, a contagem de vítimas deve subir muito depois que todas as cidades puderem ser acessadas por
terra.
Neste domingo (9) havia cerca de 350 militares do Brasil em cidades como Jérémie e Les Cayes, duas das mais afetadas. Nesta segunda (10), mais um grupo de soldados deve ir a esses locais para escoltar um comboio humanitário de 27 caminhões –há o temor de que sejam atacados.
MORTES NOS EUA
Rebaixado a ciclone pós-tropical, o Matthew atingiu os Estados americanos da Carolina do Norte e Virgínia com menos força neste domingo, mas matou ao menos oito pessoas na Carolina do Norte, elevando o número de vítimas no país para 17. Até então, a Flórida registrava mais mortos, com seis.
A tempestade mais poderosa do Atlântico desde 2007 desencadeou chuvas torrenciais e ventos fortes e deixou mais de dois milhões de empresas e casas sem energia elétrica nos EUA.
O Matthew continua a ameaçar comunidades costeiras dos Estados, onde avisos de enchentes seguem em vigor, e rajadas de 120 km/h foram registradas.
Cinco pessoas continuam desaparecidas na Carolina do Norte, de acordo com o governador, Pat McCrory, que afirmou ainda que o número de vítimas poderia aumentar nas próximas horas.
A tempestade, embora enfraquecida, tem causado também alagamentos recordes na região leste do Estado, de acordo com o Centro Nacional de Furacões.
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