Mais de 177 mil consumidores declararam ter dívidas em Maceió
Este é o primeiro mês em que os consumidores da capital extrapolam o limite em relação a saúde financeira de seus pagamentos.
Em março, pouco mais de 177 mil consumidores da capital estavam endividados, um aumento de 3,36% em relação a fevereiro. Destes, 87.805 são endividados com contas em atraso, o que equivale a uma elevação de 6,8%.
Os números são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC – Maceió) realizada pelo Instituto Fecomércio de Estudos, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Os inadimplentes representam 51.420 dos consumidores; uma redução de 2,66% quando comparado ao mês anterior. Para o Instituto Fecomércio, o desempenho dos indicadores confirma que, passado o carnaval, houve aumento no consumo dos cidadãos principalmente por meio do crédito no mês de março.
Comparação
No contexto geral, tanto o total de endividados, consumidores com conta em atraso e os inadimplentes, quando comparados a março de 2016, apresentaram redução, o que aponta uma melhora na relação entre a renda e a dívida dos consumidores. Segundo o assessor econômico da Fecomércio AL, Felippe Rocha, isto amplia a capacidade aquisitiva do cidadão que detém renda livre para aquisição de bens e serviços na região. A redução é de 6,01% para o total de endividados; 9,05% para aqueles que tinham contas em atraso e; 20,34% para os inadimplentes.
Dos entrevistados que declararam possuir dívidas, 88,9% (cerca de 157 mil pessoas) a contraíram pelo uso do cartão de crédito; 9,3% (pouco mais de 16 mil consumidores) se endividaram por meio de carnês de loja (boletos); e 4,1% (ou 7.278 pessoas) via crédito consignado, seja para quitar débitos ou para investimentos pessoais.
Dos 29,5% que estão com dívidas em atraso (87.805 consumidores), 49,5% (43 mil) afirmaram que parentes moradores da mesma residência passam pela mesma situação.
Já para os inadimplentes (17,3%, o que equivale a cerca de 51 mil pessoas), apenas 4,5% terão condições de quitar suas dívidas integralmente no mês de abril (2.313 pessoas) e 58,6% permanecerão nessa mesma situação (30.132). O comprometimento da renda chega a 31% e o tempo médio que os consumidores passam com contas em atraso ou inadimplentes já é de 71 dias. Já o período médio de parcelamento é de quase cinco meses.
Diante da série histórica da relação dívida e renda, este é o primeiro mês em que os consumidores da capital alagoana extrapolam o limite considerado em relação a saúde financeira de seus pagamentos. “Isto significa que, se não houver prudência, poderá causar um desequilíbrio entre as possiblidades de pagamento das dívidas anteriores com suas dívidas futuras, levando em consideração que os consumidores possuem gastos fixos mensais [água, luz, plano de saúde, escola, etc.] e que darão preferência a esses pagamentos em detrimento dos financiamentos”, observa Rocha, complementando que a nova regra do crédito rotativo não permitirá fugir dos compromissos financeiros com seus cartões de crédito por meio do pagamento mínimo.
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