Após mais de quatro décadas Mutum-de-Alagoas é reintroduzido no estado
Tendo sido dizimado pela caça indiscriminada e pelo forte impacto causado pelo desmatamento para a cultura da cana-de-açúcar, o Mutum-de-Alagoas foi extinto em ambiente natural e não é mais registrado na natureza há pelo menos 30 anos. Outrora ele habitava a Mata Atlântica, mais especificamente o litoral sul de Alagoas, quando foi encontrado pelo criador Pedro Nardelli há 42 anos na região de Roteiro.
A reprodução em cativeiro e os estudos, com a colaboração de universidades, especialistas e organizações não governamentais, têm sido a causa fundamental da continuidade da espécie. Relata-se que existem hoje 230 animais em cativeiro. Um dos principais responsáveis pela reprodução chama-se Roberto Azeredo, da Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre (CRAX), de onde saiu o primeiro casal que habitará um viveiro construído especialmente para eles em Alagoas.
“O Mutum-de-Alagoas é símbolo de um trabalho muito maior, você protegendo o Mutum-de-Alagoas e o ecossistema dele, o habitat dele, você está preservando as outras espécies que vivem lá também. Então, se você não pode trabalhar com todas o carro chefe do trabalho está sendo o Mutum-de-Alagoas”, comentou Azeredo.
Reintrodução
O primeiro casal tem quatro anos de idade e chegou ao Estado no dia 19, mas será apresentado em um viveiro especialmente construído pelo Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA), em terras da Usina Utinga Leão, no município de Rio Largo, apenas na próxima sexta-feira (22), durante uma solenidade especialmente organizada com a participação do governador Renan Filho.
Essa é a primeira etapa para posterior reintrodução na natureza.“Nossa intenção é fazer com que os alagoanos conheçam essa ave que é autenticamente alagoana, só existia no nosso Estado. Em seis meses, queremos levar mais três casais para fazer a reintrodução na natureza, comenta Fernando Pinto, coordenador do IPMA.
Toda a ação é coordenada e organizada, além do IPMA, pelo Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA/AL), Ministério Público Estadual (MPE), Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Sindicato do Açúcar e do Alcool (Sindaçucar) e Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA).O grupo é responsável pela construção do chamado Plano de Ação Estadual do Mutum-de-Alagoas.
“O Mutum foi escolhido como a ave tema do bicentenário por causa da importância do animal para o Estado. Trata-se de uma das aves mais raras do planeta e representa um esforço que mostra, para todos nós alagoanos, que é importante de ser feito e que colabora com a preservação da biodiversidade”, comenta Gustavo Lopes, diretor-presidente do IMA/AL.
O órgão estadual é responsável pela gestão da fauna silvestre e tem acompanhado de perto todo o processo, colaborando com a regularização e licenciamento do viveiro, manejo do animal e as ações de identificação e proteção das áreas onde poderão ser feitas, futuramente, as solturas na natureza, em um segundo momento do projeto.
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