Ufal aprova proposta de cotas para negros, quilombolas e indígenas na pós-graduação
No mês que celebra a reflexão da sociedade brasileira sobre as demandas da população negra, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) mais uma vez avança em suas políticas afirmativas, desta vez com a proposta de adoção de cotas para os programas de pós-graduação. A ideia é incluir negros, quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência em todos os programas de pós-graduação lato sensu e stricto sensu (Mestrado, Mestrado Profissional e Doutorado) da universidade.
No dia 17 de novembro, em reunião com os coordenadores de pós-graduação, a comissão designada pela reitora Valéria Correia apresentou um documento sistematizado a partir das contribuições desses integrantes. Presidida pelo coordenador de pós-graduação da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (Propep), Helson Flávio da Silva Sobrinho, a apresentação do documento foi feita sob a condução da diretora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), Lígia dos Santos Ferreira, que esclareceu dúvidas dos presentes, sobretudo sobre a nota de corte de 20%, razão de ser desta política afirmativa.
Após muito debate, a proposta da Comissão foi aprovada com apenas 3 votos contrários e seguirá para nova avaliação junto aos membros na próxima reunião da Câmara Acadêmica, prevista para o final deste mês.
“Pretendemos somar os esforços institucionais para garantir uma maior inclusão da população negra, indígena, quilombola e com deficiência na sociedade, dando-lhe a possibilidade de participar, em condições de igualdade, das lutas nos espaços de poder”, destacou Lígia Ferreira, acrescentando que, para além da reserva de vagas, seu trabalho no Neab consiste em desenvolver uma consciência étnico-racial em um estado com o maior índice de extermínio da juventude negra e de grande intolerância às religiões de matriz africana.
Esta política institucional defendida pela gestão central da Ufal começou a ser desenhada na aprovação do Programa de Ações Afirmativas, através da Resolução do Conselho Universitário de nº 33, de 11 de novembro de 2003. No entanto, passou a ser pautada concretamente desde a criação da Comissão, via portaria nº 1434, de 12 de setembro de 2016, formada pelos três segmentos da Ufal (docentes, técnicos/as e estudantes) e também representantes da sociedade civil que atuam em movimentos sociais e movimentos negros e pesquisam sobre estudos étnico-raciais em Alagoas.
Segundo o coordenador do Instituto do Negro de Alagoas (Ineg/AL), Jeferson Santos, a conclusão do documento que propõe uma série de medidas de promoção dos segmentos negro, indígena e deficientes físicos no interior dos programas de pós-graduação da UFAL “constituiu passo fundamental para o avanço da proposta que tem por objetivo a criação de um espaço mais diverso e multirreferenciado no âmbito daqueles programas, respeitando a diversidade presente em nosso país”.
Em meio às comemorações na Serra da Barriga pelo Dia Nacional da Consciência Negra, a reitora Valéria Correia felicita os membros da comissão pela proposição, destacando a Ufal como instituição pública que contribui para a diminuição das desigualdades sociais. “Comemoramos o fato de Alagoas contar com a maior instituição federal de ensino superior público que compreende que a democracia só será efetivada se garantirmos espaços de formação menos desiguais para o enfrentamento das nossas mazelas sociais e étnico-raciais na terra onde nasceu e morreu Zumbi e Dandara dos Palmares”, assinalou.
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