Ação da Eletrobras chega a cair 12% após Bolsonaro falar sobre privatização
As declarações pouco animadoras do candidato a presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, sobre privatização e a reforma da Previdência pesaram nos negócios na manhã desta quarta-feira, 10, sobre ações de empresas que integram o conhecido ‘kit eleições’. As ações da Eletrobras chegaram a recuar 14,64% após o candidato criticar o processo de privatização da elétrica.
“A gente vai vender para qualquer capital do mundo? Você vai deixar a nossa energia na mão da China? A gente pode conversar sobre distribuição, mas sobre geração não”, afirmou ele, em entrevista à TV Bandeirantes.
As ações da estatal praticamente zeram os ganhos acumulados no cenário pós primeiro turno das eleições, com as preferenciais a R$ 23,16, e as ON registrando declínio expressivo, a R$ 19,57. Na sexta-feira, Eletrobras PNB encerrou o pregão cotada em R$ 22,61 e a ON em R$ 19,34.
Outras empresas que têm seus papéis penalizados no pregão desta quinta são a Petrobras, com recuo de 3,84% (PN) e 4,14% (ON). Do setor elétrico, caíam Cemig PN (-4,03%) e Copel PNB (-2,09%), já Sabesp ON cedia 3,75%. Entre os bancos, Banco do Brasil ON registrava baixa de 4,03%, seguido pelos concorrentes Itaú PN (-2,53%), Bradesco PN (-2,56%) e Santander Unit (-2,97%).
Entre as siderúrgicas, Usiminas PNB registrava forte queda de 5,29%, seguida por CSN ON -5,25%, Metalúrgica Gerdau PN -3,44% e Gerdau PN -2,68%.
Segundo Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, a maior aversão ao risco tende a atingir com mais força ações consideradas mais arriscadas. Vale ON, por sua vez, recuava 1,73%.
Previdência
Os investidores também repercutem declarações do presidenciável Jair Bolsonaro sobre a reforma da Previdência. O candidato do PSL disse na terça que a reforma da Previdência será tratada “vagarosamente, embora depois tenha recuado dizendo que, se eleito, irá procurar a equipe de Michel Temer para fazer proposta sobre o tema “já para o corrente ano”. Uma das ideias seria reduzir a idade mínima de 65 para 61.
Diante das declarações, o mercado passa por ajustes que impulsionam o dólar, após a moeda americana ter acumulado perdas de mais de 8% no mês e caído na terça para R$ 3,7155, refletindo expectativas de investidores de vitória de Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial e de andamento das reformas.
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