MPF abre investigação contra Paulo Guedes, guru de Bolsonaro
Procuradoria do Distrito Federal vai apurar suspeita de crimes contra fundos de pensão no âmbito da Operação Greenfield
A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu oficialmente investigação contra o economista Paulo Guedes, guru do candidato à presidente Jair Bolsonaro, no âmbito da Operação Greenfield. O Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) investiga Guedes por crimes de gestão temerária ou fraudulenta de investimentos de recursos de fundos de pensão.
A força-tarefa responsável pela operação já havia, no início do mês, declarado aberta uma investigação preliminar contra Guedes. Durante a apuração, um outro caso de possível fraude foi descoberto. O economista deve ser chamado para depor em breve. A informação foi publicada primeiramente pelo jornal O Globo.
A Greenfield investigou, primeiramente, pagamentos de propina em fundos de pensão. Ao longo de seis anos, o economista captou ao menos 1 bilhão de reais de fundos como Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa), Postalis (Correios), além do BNDESPar, braço de investimentos do BNDES.
Os negócios foram feitos pela empresa BR Educacional Gestora de Ativos, que pertence ao economista. Ela lançou dois fundos de investimentos que receberam, das entidades das estatais, 1 bilhão de reais em seis anos. Entre 2009 e 2013, um dos fundos obteve 400 milhões de reais para projetos educacionais. Os investigadores apuram se o negócio foi aprovado sem análise adequada.
Segundo a Procuradoria, parte do dinheiro das negociações foi injetada na HSM Educacional SA., controlada por Guedes. Ela adquiriu de um grupo argentino 100% das participações em outra empresa, a HSM do Brasil, que buscava lucro na realização de eventos para estudantes e executivos e em palestras. A empresa, porém, apresentou prejuízos, principalmente por causa das remunerações dessas palestras. Na época, o economista fazia conferências promovidas pela HSM. Os investidores tentam rastrear o dinheiro desses eventos para saber quem os recebeu.
Agora, a Greenfield também investiga a possibilidade de Guedes ter utilizado o FIP Brasil de Governança Participativa, para investir 112,5 milhões de reais no grupo de infraestrutura Enesa, com recursos públicos. Logo depois da injeção financeira, a Enesa distribuiu renda a seus acionistas de 77,3 milhões de reais. Contudo, segundo a Procuradoria, naquele período, a empresa apresentou prejuízo após a distribuição, o que foi custeado pelos fundos.
Defesa
A defesa, feita pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, argumenta que “a investigação se baseia em um relatório fragilíssimo, que tratou de apenas um, dentre quatro investimentos realizados pelo fundo. O relatório omite o lucro considerável que o fundo tem propiciado aos investidores e a perspectiva de lucro de mais de 50% do valor investido. Ou seja, não houve qualquer prejuízo às partes envolvidas”.
Os advogados ressaltam que Guedes jamais teve qualquer poder de deliberação sobre o destino dos investimentos, e que todos foram aprovados pelo Comitê de Investimentos, formado por membros indicados pelos cotistas dos fundos de pensão.
“Causa perplexidade que, a setenta duas horas das eleições, o Ministerio Público instaure uma investigação para apurar um investimento que deu lucro aos fundos de pensão”, dizem os advogados.
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