Bolsonaro compartilha vídeo com críticas a governadores após discurso ameno
Na semana passada presidente já havia trocado farpas com presidentes do sudeste
Cerca de 12 horas depois de baixar o tom de seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar os rivais. Sem citar nomes, ele compartilhou hoje no Twitter um vídeo com críticas aos prefeitos e governadores que defendem o isolamento social durante a pandemia de coronavírus.
"Não é um desentendimento entre o presidente e alguns governadores e alguns prefeitos. São fatos e realidades que devem ser mostradas. Depois da destruição não interessa mostrar culpados", escreveu Bolsonaro.
No vídeo, um homem mostra um suposto desabastecimento. "Não vamos esquecer não, tá. A culpa disso aqui é dos governadores porque o presidente da República está brigando incessantemente para ter uma paralisação responsável", diz o homem.
Ontem, em mais um pronunciamento à nação, Bolsonaro defendeu a necessidade de um pacto nacional pela preservação "da vida e dos empregos".
"O efeito colateral das medidas de combate ao coronavírus não pode ser pior que a própria doença. A minha obrigação como presidente vai para além dos próximos meses. Preparar o Brasil para sua retomada, reorganizar nossa economia e mobilizar todos nossos recursos e energia para tornar o Brasil ainda mais forte após a pandemia", declarou o presidente durante o pronunciamento.
Bolsonaro afirmou preocupação com a área econômica e disse que, apesar do temor diante das questões de saúde, com a quantidade de casos confirmados e número de mortos pela covid-19 aumentando, o país deve "evitar a destruição de empregos". Novamente ele mencionou uma frase do diretor-presidente da OMS fora de contexto para justificar o fim do isolamento social.
"Com esse mesmo espírito, agradeço e reafirmo a importância da colaboração e a necessária união de todos, num grande pacto pela preservação da vida e dos empregos. Parlamento, Judiciário, governadores, prefeitos e sociedade", disse.
O tom de ontem foi bem mais ameno que o do pronunciamento da semana passada, quando em rede nacional Bolsonaro chamou a covid-19 de "gripezinha" e acusou a imprensa de espalhar pânico. Na ocasião, Bolsonaro também criticou governadores por determinarem quarentena — com fechamento de comércio e fronteiras — e questionou o motivo pelo qual escolas foram fechadas.
No dia seguinte, Bolsonaro trocou farpas com alguns governadores, principalmente João Doria (PSDB), de São Paulo, e Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro.
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