Médicos aprovam decreto que endurece isolamento social
Mas apelam para a responsabilidade da população: é preciso colaborar para evitar colapso hospitalar das redes pública e privada em Alagoas
Os números da Covid-19 em Alagoas seguem numa crescente vertiginosa. O avanço é resultado do comportamento de parte da população alagoana que ainda vê com descrença a gravidade e a letalidade de um vírus que já matou milhares de pessoas ao redor do mundo. No Brasil, mais de oito mil pessoas morreram vítimas do coronavírus e, em Alagoas, esse número já chega a 89.
Em virtude do aumento exponencial dos casos positivados, o governador Renan Filho endureceu as medidas restritivas de isolamento social. Publicadas no Decreto 69.722, nessa quarta-feira (6) as novas diretrizes incluem o uso obrigatório de máscara, inclusive no transporte público, e redução do deslocamento da população por meio da regulamentação de atividades externas.
A médica infectologista Normângela Barreto se diz otimista quanto à intensificação do enfrentamento ao coronavírus determinado pelo governo do Estado. No entanto, enfatiza que é preciso cooperação por parte da população, sobretudo quanto ao bom senso ao sair de casa e cuidados quanto ao uso da máscara.
“As novas medidas são essenciais e acredito que vamos conseguir conter, pelo menos este mês, que os números se alastrem ainda mais. O que vemos são os supermercados e as lojas abarrotadas não só uma pessoa da família, mas várias. A população relaxou e precisamos urgente de responsabilidade social. Não adianta só usar máscara e sair por aí com a família inteira, porque outras pessoas serão contaminadas”, frisou.
Assim como a infectologista, o médico intensivista Fábio Lima considerou o novo decreto um pacote acertado e reiterou a indispensabilidade do isolamento social. Segundo ele, essa é uma medida fundamental que, paralelamente ao cumprimento das demais medidas restritivas pela população, levará o estado ao êxito na contenção no avanço dos números de casos.
“O governo local está fazendo a sua parte. Além das orientações, a disponibilização de leitos e os decretos que regem o comportamento de todos nesse período. A chance que nós temos, enquanto população, de resistir a toda essa onda que está acontecendo é o de isolamento social, não vejo outra forma. Nenhum país do mundo teve resultado sem que fizesse o isolamento social. As medidas são assertivas e esperamos que elas não precisem ser mais duras do que já são, mesmo que algumas vezes seja necessário. A população precisa cumprir para que tenhamos êxito”, declarou.
SOBRECARGA DE TRABALHO
Além da superlotação nos leitos hospitais, os médicos destacam também o a sobrecarga de trabalho para os profissionais de saúde que operam na linha de frente, em virtude do número de funcionários afastados contaminados pela Covid-19. A classe pede que a população tenha responsabilidade social, se proteja ficando em casa e proteja também as pessoas do grupo de risco e aqueles que atuam na área médica.
Segundo eles, esse é o único meio possível, neste momento crítico, para que os profissionais de saúde e os hospitais possam acolher com dignidade os que precisam de cuidados médicos.
“Nós que trabalhamos na linha de frente, estamos simplesmente sobrecarregados. A demanda num turno de seis horas varia entre 80-90 pacientes no pronto-atendimento de um hospital particular, já numa unidade hospitalar da rede pública esse número é ainda maior. O afastamento de um profissional ocasiona um desfalque do quadro de funcionários por um período de sete a 15 dias, gerando uma sobrecarga em cima dos outros profissionais e causando um estrangulamento no sistema de saúde, não só pela falta de leitos, mas também pela falta de profissionais. Precisamos urgentemente de responsabilidade social”, alertou a infectologista Normângela Barreto.
“Hoje temos uma batalha muito grande dentro das unidades de saúde, as pessoas não param de chegar e sabemos que as emergências estão lotadas, as UTIs lotadas, enfermarias quase lotadas e precisamos de pessoal para dar assistência. Muitos colaboradores já estão afastados, porque para quem está na linha de frente, a chance de adoecer é muito grande e esse é um fator complicador. A população tem que enfrentar ficando em casa, protegendo o grupo maior de risco, idosos, imunodeprimidos, diabéticos, hipertensos, doentes cardíacos, todas as doenças que podem ter complicações. Protegendo também os hospitais para que os profissionais de saúde possam cuidar daqueles que precisam de cuidado médico, para que não tenhamos o caos e a saturação total da rede hospitalar”, concluiu o intensivista Fábio Lima.
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