EUA suspenderão vistos de estudantes estrangeiros que estiverem com aulas virtuais
Universidades ainda não anunciaram planos de retorno das aulas
Os Estados Unidos anunciaram ontem que suspenderão vistos para estudantes estrangeiros cujas aulas sejam transferidas para um formato virtual devido à pandemia de covid-19.
O presidente Donald Trump — que está buscando a reeleição em novembro — tem um discurso contra a imigração irregular e recentemente suspendeu a maioria dos vistos de imigração, afirmando que dessa maneira protege o emprego dos americanos da crise causada pelo coronavírus.
O governo Trump "não concederá vistos aos estudantes matriculados em escolas e/ou programas que sejam completamente pela internet durante o semestre de outono (boreal) e os guardas fronteiriços não lhes permitirão entrar no país", informou em um comunicado o Departamento de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
Os estudantes com vistos F-1 e M-1 cujas unidades de ensino operam apenas online "devem sair do país ou tomar outras medidas, como a transferência para uma escola com instrução presencial".
Caso contrário, os estudantes correm o risco de serem expulsos.
De acordo com o novo regulamento, quando os estudantes estiverem em um centro com um modelo misto, eles terão que provar que estão matriculados no número máximo de cursos presenciais para preservar seu visto. Estas exceções não serão autorizadas para o estudo do inglês ou capacitação profissional.
"A crueldade da Casa Branca não tem limites", criticou imediatamente o senador Bernie Sanders, ex-pré-candidato democrata às presidenciais de 3 de novembro.
"Os estudantes estrangeiros são obrigados a escolher entre arriscar suas vidas nas aulas ou serem expulsos", disse.
"O pior é a incerteza", disse à AFP Gonzalo Fernández, um espanhol de 32 anos que faz doutorado em economia na Universidade George Washington.
"Estamos aqui sem saber se no próximo semestre teremos aulas presenciais ou não, não sabemos se devemos voltar para casa ou se vão acabar nos expulsando", acrescentou.
A maioria das escolas e universidades americanas ainda não anunciaram seus planos para o semestre que começa em setembro.
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