'Encontramos nosso bebê no metrô'
Em entrevista à BBC, o casal nova-iorquino Danny Stewart e Peter Mercurio conta como uma adoção inesperada transformou suas vidas.
Danny Stewart voltava para casa do trabalho quando encontrou um bebê abandonado em uma estação de metrô de Nova York.
Ele ainda não sabia, mas sua vida estava prestes a mudar.
Como ninguém se apresentou para reivindicar a guarda da criança, a juíza da vara de família perguntou se Danny gostaria de adotar o menino.
Naquele momento, a paternidade não estava nos planos dele, tampouco do seu marido, Peter Mercurio — mas o casal logo se viu conectado àquele bebê.
Em entrevista à jornalista Anu Anand do programa de rádio Outlook, da BBC, os dois contam como esta adoção inesperada transformou suas vidas.
Danny Stewart e Peter Mercurio se conheceram no fim dos anos 1990, apresentados por um amigo em comum, em um time de softbol (espécie de versão simplificada do beisebol, praticada em ginásio coberto) — e acabaram se apaixonando.
Danny e Peter passaram os primeiros anos do relacionamento se divertindo com os amigos e investindo em suas carreiras de assistente social e escritor, respectivamente.
O encontro no metrô
Mas, na noite do dia 28 de agosto de 2000, um encontro inesperado transformaria suas vidas.
Por volta de 20h, pouco depois da hora do rush, Danny estava saindo da estação de metrô da 14th Street, em Manhattan, quando avistou algo no chão que chamou sua atenção.
"Achei que era uma boneca. E comecei a pensar: Por que uma menina deixaria a boneca dela no chão?"
"Estava subindo as escadas do metrô para sair, e olhei para trás mais uma vez. Foi quando notei as pernas dele se mexendo", relembra.
Danny não tinha encontrado uma boneca, mas, sim, um bebê de verdade.
"Meu coração começou a bater extremamente rápido, desci as escadas correndo."
Livro de história da adoção
Para evitar confusão, os pais ensinaram Kevin a chamá-los de daddy Danny e papa Peter. E fizeram questão de ser transparentes desde o início sobre seu processo de adoção.
"Nós sabíamos que ele iria acabar descobrindo a história, porque era de conhecimento público, todas as pessoas na nossa vida sabiam. E não queríamos que ele descobrisse por outra pessoa", explica Danny.
"Peter criou então (uma versão preliminar de) um livro ilustrado para contar a história de como nos tornamos uma família. Quando ele tinha 3 ou 4 anos, o livro passou a fazer parte do nosso ritual na hoa de dormir."
"Era basicamente um livro infantil que líamos para Kevin quase todas as noites. E usamos nossos nomes verdadeiros", completa Peter.
Levou quase um ano para Kevin se dar conta de que aquela era sua história — e a reação dele não poderia ter sido melhor.
"Ele ficou empolgado, dava para ver seus olhos brilhando. Estava tão orgulhoso da história que quis contar na escola", diz Danny.
E será que em algum momento Kevin demonstrou interesse em relação aos pais biológicos?
"Acho que quando estava no ensino fundamental, ele tinha curiosidade em saber. De vez em quando, ele olhava as pessoas que passavam por nós na calçada ou em restaurantes, e apontava: 'Aquela mulher tem a mesma cor de pele que eu'."
"Mas ele nunca se estressou com isso, e simplesmente passou... ele nunca tocou no assunto."
Casamento dos pais
Em 2011, o estado de Nova York legalizou finalmente o casamento gay — e o casal acabou decidindo oficializar a união.
"Perguntei a Kevin a caminho da escola, o que ele achava. E ele respondeu: 'Claro, vocês devem casar'", conta Peter.

"Ele estava empolgado com a idea e perguntou: 'Juízes não casam pessoas?' Eu disse que sim, e já sabia aonde ele queria chegar. Você quer que eu pergunte à juíza que fez sua adoção se ela pode casar a gente? E ele disse que sim: 'Por que você não pergunta a ela?'"
Assim que chegou em casa, Peter enviou um email para a vara da família de Manhattan com o pedido. Poucas horas depois, recebeu a resposta:
"O e-mail dizia: Passamos sua mensagem à juíza, teremos o maior prazer em oficializar sua união."
O reencontro com a juíza, dez anos depois, tornou a cerimônia ainda mais especial.
"Foi uma sensação avassaladora de felicidade e deslumbramento, que aquela mulher, que era a razão de sermos uma família, era mais uma vez, a razão de nos casarmos. Era como se fechasse um ciclo", diz Danny.
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