Cartão de crédito responde por quase 98% na aquisição de dívidas dos maceioenses
Apesar do percentual alto, o comprometimento médio da renda ficou dentro do aceitável, marcando 28% quando o máximo aconselhado é de 30%
Os consultores econômicos sempre orientam aos consumidores cautela no uso do cartão de crédito. De fácil acesso e com limite geralmente superior à renda do portador, muitas vezes o cartão acaba sendo usado sem planejamento, trazendo uma dívida com juros altos e difícil de ser quitada. Em Maceió, 97,8% dos consumidores que se endividaram, em janeiro, utilizaram este recurso de crédito, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Apesar de ser um percentual alto, o comprometimento médio da renda com dívidas ficou dentro do aceitável, marcando 28% quando o máximo aconselhado é de 30%. Além disso, no contexto geral houve redução no nível de endividamento das famílias. Se em novembro e dezembro de 2020 o percentual ficou estacionado em 64,1%, seguindo uma trajetória de queda desde julho - mês que apresentou o patamar máximo de endividamento da capital em todo ano de 2020, chegando a 72,5% -, em janeiro de 2021 o endividamento ficou em 63,1%.
A capital alagoana também apresentou indicadores de endividamento menores do que a média nacional, pois enquanto 63,1% dos maceioenses estão com algum tipo dívida, a média das capitais brasileiras é de 66,3% (dezembro de 2020). Percentual abaixo da média nacional também em relação às contas em atraso, já que 18,5% dos maceioenses declararam estar nessa situação, enquanto nas outras capitais brasileiras o percentual médio é de 25,2%.
Para o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), Victor Hortencio, a queda da inadimplência talvez se deva a um conjunto de fatores que agiram criando, mantendo e potencializando a renda dos maceioenses, como o auxílio emergencial e os programas federais de manutenção dos postos de trabalhos. “Por outro lado, o surgimento de uma segunda onda da pandemia do coronavírus atrelada às incertezas quanto a renovação dos benefícios e à celeridade da vacinação em massa impactou nas decisões do consumo da população da capital”, avalia.
Em termos absolutos, na variação mensal, o número de endividados saiu de 194 mil, em dezembro, para 190 mil, em janeiro. Já o número de endividados com contas em atraso, que em dezembro contabilizava mais 60 mil pessoas, caiu para 56 mil; queda de aproximadamente -6,61%. “É o menor número de inadimplentes, em valores absolutos, dos últimos 9 anos da capital alagoana”, ressalta o economista com base em dados da PEIC de fevereiro de 2012, quando existiam quase 55 mil pessoas endividadas com contas em atraso em Maceió naquele período.
Na variação anual, o volume de endividados com contas em atraso diminuiu -34,4%. Traduzindo para números absolutos, o número de pessoas nessa situação saiu de 85 mil pessoas (janeiro de 2020) para 56 mil em 2021, refletindo uma queda de 29 mil inadimplentes na capital.
Além do cartão de crédito, os consumidores adotaram outras modalidades de endividamento de curto prazo, como os carnês (16,7%) e o crédito pessoal (3%). Dentre os endividados, 30,6% das pessoas com renda até 10 salários-mínimos disseram possuir alguma dívida atrasada, contra 10,6% dos que recebem mais de 10 salários. Quanto ao tempo de atraso, os dois grupos salariais têm uma média similar de um pouco mais de 70 dias, sendo que mais de 60% dos dois níveis de renda demoram entre 3 e 6 meses no pagamento das dívidas.
“Os números mostrados acima trazem duas conclusões, uma boa e não tão boa. A primeira é que os residentes em Maceió estão mais prudentes com o consumo, se endividando menos e pagando suas dívidas. A segunda, é que o consumo se caracteriza como o principal causador do endividamento”, observa, mas ressalva que nem toda dívida é ruim. “A compra de bens duráveis, automóveis e imóveis, se dá pelo endividamento, o que é normal e saudável para a economia”, complementa.
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