Com Covid há 69 dias, paciente internada em hospital reencontra cachorrinha de estimação
A equipe de enfermagem do hospital cuidou de cada detalhe para o reencontro emocionante da Katia Rosana, 54 anos, com Charlote
Foram 69 dias sem encontrar a melhor amiga e companheira de todos os dias. Desde quando foi internada com Covid-19, em 23 de abril, Katia Rosana Zansavio, 54 anos, não via sua cachorrinha de estimação, a Charlote. Katia foi acometida com a doença, intubada, extubada, voltou a respirar e, hoje, faz fisioterapia e recuperação no no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Quando questionada do seu primeiro desejo, respondeu sem titubear: “Quero ver minha cachorra”.
Nesta quarta-feira (30/6), a espera de mais de 2 meses chegou ao fim. Katia encontrou com Charlote, sua cachorrinha da raça dachshund, sua companheira há 14 anos.
O reencontro foi proporcionado pela equipe de enfermagem do Hospital Regional da Asa Norte que cuidou de cada detalhe, para que o momento ocorresse no estacionamento do Hran, com toda a segurança que o momento pandêmico exige.
“Ela sempre falava da cachorrinha e manifestou o desejo de ver ela. A filha da Katia perguntou se ela queria ver alguém e ela foi enfática: quero ver minha cadela”, contou a supervisora de enfermagem do Hran Fabiane Teixeira. A equipe da unidade de saúde, então, se mobilizou e, com a filha da paciente, organizou o reencontro entre as duas.
Charlote foi adotada por Katia quando tinha apenas 5 meses de vida. São 14 anos de companheirismo e, ao longo desse tempo, até então, elas haviam se separado uma única vez, quando Katia viajou. Segundo ela, Charlote não gostou da separação e quando ela retornou para casa, a cadela demonstrava o descontentamento. A segunda separação ocorreu com a internação na rede pública de saúde.
Para o grande momento aguardado por Katia, a equipe encheu balões e a levou em uma cadeira de rodas para o estacionamento do Hran.
A Covid
Os primeiros sintomas de Katia foram em 18 de abril. Eles se agravaram e ela foi para o hospital em 23 de abril. A primeira internação ocorreu no Hospital Regional de Sobradinho (HRS). O quadro estava evoluindo mal e, na manhã seguinte, ela foi intubada. “A equipe do HRS me avisou que precisariam me intubar. Eu já tinha visto outras pessoas serem intubadas, do meu lado, e já imaginava que precisaria também. Eu então concordei, pois queria viver”, lembra.
A partir do momento em que estava sedada e intubada, ela se lembra apenas do dia em que acordou, já no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), 28 dias após a intubação. “Eu acordei agitada, queria retirar o oxigênio, os fios”, recorda.
A transferência para o HRSam ocorreu no dia seguinte à intubação no HRS. Em Samambaia, ela permaneceu mais quatro dias após acordar e precisou ser encaminhada ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde permanece internada. Ela recebe assistência multiprofissional para se recuperar e logo poder voltar para casa. Katia faz fisioterapia para recuperar a força dos membros inferiores e melhorar a capacidade pulmonar.
O reencontro
Participaram do reencontro a filha Amanda Zansavio, de 32 anos, o sobrinho André Zansavio, de 35 anos e a equipe de enfermagem do Hran que cuida diariamente de Katia.
“Por tudo que eu via, eu pensava, se eu pegar Covid, não vou sobreviver. Deus me deu mais uma chance de seguir o meu caminho e continuar aqui, e viva!”, comemorou a paciente. Katia ainda ficará por mais alguns dias no Hran até se restabelecer e poder voltar para casa. O sentimento de toda família pela equipe que cuida de Katia é de gratidão e de boas energias na luta diária no enfrentamento à Covid-19.
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