Golfinhos mortos no litoral de SP tinham lixo e material de pesca no estômago
Em apenas três meses, 53 animais desta espécie encalharam na região — quase a metade do total do ano passado.
Golfinhos da espécie Pontoporia blainvillei (popularmente conhecida como toninha) foram encontrados mortos na Praia do Indaiá, em Bertioga, no litoral de São Paulo, na última quinta-feira (23).
O Instituto Gremar, que atua no monitoramento e resgate de animais marinhos, identificou que se tratavam de quatro machos adultos e oito fêmeas (uma filhote, duas juvenis e cinco adultas) e, em seguida, recolheu as carcaças para análises mais detalhadas no Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos, no Guarujá, em São Paulo.
Amostras coletadas estão em análise em laboratórios, que informarão com exatidão a causa das mortes, mas o Instituto antecipou que, durante a realização do exame para a coleta de material, foram encontrados resíduos sólidos – lixo – no conteúdo estomacal de duas toninhas.
De acordo com o Instituto, um dos conteúdos registrados era um anel de borracha, além de pequenos fragmentos de apetrechos de pesca.
A análise preliminar também mostra que todos os golfinhos apresentavam congestão pulmonar, indicativo de afogamento.
Também foi constatado que três das oito fêmeas encontradas estavam prenhes, com fetos ainda em estágio inicial de desenvolvimento. “As fêmeas têm apenas um filhote a cada um ou dois anos e a gestação dura aproximadamente 11 meses, o que é considerado um longo período quando se trata de recuperar as populações”, afirma o Instituto Gremar
O instituto reforça que as toninhas representam uma das menores espécies de golfinho do mundo e estão criticamente em risco de extinção aqui no Brasil.
No trecho monitorado em atuação pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) – que inclui as praias de Bertioga, Guarujá, Santos e São Vicente – foram registrados 110 encalhes em 2022. Todos os animais foram encontrados mortos, com exceção de um indivíduo, que, posteriormente, também não resistiu.
Já em 2023, já foram encontradas 53 toninhas encalhadas no mesmo trecho – ou seja, 48,18% do total do ano passado em apenas 3 meses.
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