Política

Na Argentina, Lula volta a defender adoção de moeda comum entre países do Mercosul

Relembre momentos em que o presidente incentivou a estratégia, que se tornou polêmica do governo petista

Por 7Segundos com CNN Brasil 04/07/2023 20h08
Na Argentina, Lula volta a defender adoção de moeda comum entre países do Mercosul
Presidente Lula destacou que defende a criação de uma moeda de referência para o comércio regional, “que não eliminará as respectivas moedas nacionais” - Foto: REUTERS/Adriano Machado

O presidente Lula voltou a defender a criação de uma moeda comum para o Mercosul nesta terça-feira (4). A declaração foi feita durante o discurso de abertura da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Puerto Iguazú, na Argentina.

Desta vez, Lula – que irá assumir temporariamente a presidência do bloco – disse que a adoção de uma moeda comum iria contribuir para “reduzir custos e facilitar ainda mais a convergência”.

O presidente destacou ainda que defende a criação de uma moeda de referência para o comércio regional, “que não eliminará as respectivas moedas nacionais”, afirmou.

Também nesta terça-feira, o economista Gabriel Galípolo, indicado pelo governo para a diretoria de Política Monetária do Banco Central, disse que as soluções de moeda comum que estão sendo consideradas são para o longo prazo e buscam evitar que o país perca espaço na balança comercial de outros parceiros.

Esta não é a primeira vez que o Brasil defende a criação de uma moeda comum entre países, que tem sido uma das grandes polêmicas desde a retomada do governo petista este ano.

No dia 3 de janeiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, e discutiram sobre a criação de uma moeda comum para o Mercosul.

À época, especialistas ouvidos pela CNN foram unânimes ao considerarem a ideia “muito difícil” e até “inviável”.

No fim do mesmo mês, o presidente Lula confirmou que o Brasil e a Argentina estavam discutindo propostas para a criação da moeda.

Segundo apuração da analista de economia da CNN Raquel Landim, os dois países haviam formado um grupo de trabalho para avaliar a viabilidade de uma “unidade de conta sul-americana”.

Em abril, Lula criticou o uso do dólar e voltou a defender uma moeda única entre países dos Brics.

Durante discurso na cerimônia de posse da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no comando do Banco dos Brics, Lula disse que toda noite se pergunta “por que todos os países estão obrigados a fazer seu comércio lastreado no dólar”.

“Precisamos ter uma moeda que transforme os países numa situação um pouco mais tranquila. Porque hoje um país precisa correr atrás de dólar para poder exportar, quando ele poderia exportar em sua própria moeda, e os bancos centrais certamente poderiam cuidar disso”, declarou.

Em maio, o presidente levantou a pauta novamente em várias ocasiões, inclusive durante discurso de encerramento de sua participação no G7.

O petista voltou a defender a ideia publicamente outras duas vezes no mesmo mês: uma durante reunião com líderes de países da América do Sul e outra em discurso ao lado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Brasília.

O propósito de conceber uma moeda única dentro do Mercosul é antigo.

Alguns economistas defendiam a ideia em 1999, ano da implementação do euro na União Europeia (UE), uma unificação monetária para os países-membros do bloco, assim como aconteceu na Europa no final do século XX.

Moedas únicas em outros lugares do mundo

Apesar de o euro ser o caso mais lembrado e bem-sucedido, a moeda não é a única no mundo com as características de unificação.

Há um caso mais próximo do Brasil e da Argentina do que o do Velho Continente. Trata-se do dólar do Caribe Oriental, adotado por oito países.

O dólar do Caribe Oriental é indexado ao dólar, com uma taxa de câmbio fixa.

Os países que aderem à moeda são: Anguila, Antígua e Barbuda, Dominica, Granada, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas e Montserrat.

Há também exemplos de moedas únicas no continente africano.

Uma delas é o franco CFA da África Ocidental, composto de oito países, enquanto a outra é chamada de franco CFA da África Central, composta de seis nações – todas com origens ligadas à substituição de moedas usadas durante a colonização por países europeus.

O franco CFA da África Ocidental é usado em Benim, Burkina Faso, Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Mali, Niger, Senegal e Togo.

Já o franco CFA da África Central é a moeda de Gabão, Chade, República do Congo, República Centro-Africana, Guiné Equatorial e Camarões.

*Publicado por Amanda Sampaio, da CNN