Cobranças abusivas de ambulantes em praias de AL geram denúncias e revolta da população
Relatos apontam cobranças elevadas para uso de cadeiras, mesas e guarda-sóis
Denúncias de práticas consideradas abusivas por parte de ambulantes e barraqueiros têm se multiplicado em praias do litoral alagoano neste período de alta temporada e férias. Relatos apontam cobranças elevadas para uso de cadeiras, mesas e guarda-sóis, além da imposição de consumo mínimo que pode chegar a R$ 120, valor exigido para que o frequentador permaneça no local.
O assunto ganhou força após a repercussão de um caso registrado em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, onde um casal de turistas foi agredido após um desentendimento com ambulantes. Comentários nas redes sociais associados ao episódio indicam que a prática de coagir visitantes a consumir ou pagar taxas para ocupar a faixa de areia não seria isolada e ocorre também em outros estados do Nordeste.
Em Alagoas, moradores e frequentadores relatam situações semelhantes, especialmente na Praia do Francês. Em áudios enviados à reportagem, um morador afirma que os valores cobrados chegam a R$ 60 ou R$ 70 por um jogo de cadeiras. Segundo o relato, para evitar a cobrança, o consumidor precisa atingir um consumo mínimo entre R$ 120 e R$ 130, prática que, segundo ele, nem sempre é informada de forma clara. “Está a mesma coisa. Tem gente que paga o consumo e ainda assim tentam cobrar as cadeiras”, afirmou.
A denúncia menciona, ainda, que turistas estrangeiros seriam os principais ‘alvos’ das cobranças mais altas, com relatos de valores de até R$ 130 em consumo mínimo, além de taxas extras pelo uso das cadeiras. O mesmo denunciante relembra um episódio ocorrido no ano passado, quando um turista teria sido agredido após se recusar a deixar as cadeiras antes do horário, situação que também gerou repercussão à época.
Na Barra de São Miguel, um morador de Maceió, que preferiu não se identificar, relatou ter sido cobrado em R$ 120 para utilizar uma mesa com guarda-sol. Segundo ele, o valor foi apresentado como consumação obrigatória. “Ou paga os R$ 120 ou não pode usar a mesa”, relatou.
Além das denúncias envolvendo ambulantes, frequentadores também reclamam do aumento generalizado de preços em bares e restaurantes da orla de Maceió durante o verão. De acordo com os relatos, muitos estabelecimentos suspenderam a oferta de menus executivos, prática comum fora da alta temporada, o que elevou ainda mais o custo para moradores e turistas.
Procurado pela reportagem do portal 7Segundos, o Procon Alagoas informou que a fiscalização direta de ambulantes é uma atribuição das prefeituras municipais, responsáveis pela autorização e ordenamento da atividade. O órgão destacou que enfrenta limitações para atuar nesses casos, já que ambulantes não são obrigados a emitir nota fiscal e o volume de trabalhadores informais nas praias dificulta a fiscalização. Segundo o Procon, cabe aos municípios intensificar as ações de controle e fiscalização sobre os valores cobrados à população.
As denúncias reacendem o debate sobre a ocupação e o uso das praias, que são bens públicos, e levantam questionamentos sobre a falta de padronização, transparência e fiscalização em um dos períodos mais movimentados do turismo alagoano.
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