Ato na Paulista reúne cerca de 44,9 mil manifestantes, segundo metodologia da USP
Método usado pelo Monitor do Debate Político do Cebrap e pela ONG More In Common utiliza imagens da multidão capturadas por drones
O ato com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista neste domingo (6) a favor da anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro reuniu cerca de 44,9 mil manifestantes, segundo metodologia do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common, que consiste em usar imagens da multidão, capturadas por drones.
A contagem foi feita no momento de pico da manifestação, às 15h44, a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial.
Há 3 semanas, uma outra manifestação, no Rio de Janeiro, também convocada por Bolsonaro e aliados, reuniu cerca de 18,3 mil pessoas, segundo a mesma metodologia.
Entenda como foi feita a contagem:
- Foram tiradas fotos em três diferentes horários (14:05, 14:42 e 15:44), totalizando 47 imagens.
Nove fotos tiradas às 15:44, momento de pico da manifestação, foram selecionadas para a contagem.
A imagem cobriu toda a extensão da manifestação em três diferentes pontos de concentração na Avenida Paulista.
Para o cálculo da multidão, foi utilizado o método Point to Point Network (P2PNet), desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Chequião, na China, e pela empresa Tencent. O software foi treinado com um dataset anotado de fotos de multidões da Universidade de Xangai e outro com imagens brasileiras da Universidade de São Paulo.
No método, um drone captou imagens aéreas da multidão e o software analisou automaticamente essas imagens para identificar e marcar as cabeças das pessoas.
Utilizando inteligência artificial, o sistema localizou cada indivíduo e calculou quantos pontos correspondiam a pessoas na imagem. Esse processo garantiu uma contagem precisa, mesmo em áreas densas.
O método possui uma precisão de 72,9% e uma acurácia de 69,5% na identificação de indivíduos.
O erro percentual absoluto médio na contagem é de 12%, para mais ou para menos, em imagens aéreas com mais de 500 pessoas.
Como foi o ato
Além de Bolsonaro, estavam presentes na manifestação o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); o do Paraná, Ratinho Junior; o do Amazonas, Wilson Lima; o de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); o de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil); e o de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL).
O protesto começou em torno das 14h. Houve discursos com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a favor do projeto de lei em tramitação na Câmara que concede anistia a condenados pelos atos antidemocráticos, como a cabeleireira Débora Rodrigues Santos, presa por ter pichado com um batom a estátua "A Justiça". O ataque às instituições da República foi o maior desde que o Brasil voltou a ser uma democracia.
Por volta das 15h40, Jair Bolsonaro discursou e pediu anistia para os presos pelos atos golpistas. O ex-presidente criticou ainda o fato de estar inelegível por ter apenas "se reunido com embaixadores", mas disse que "eleições em 2026 sem Jair Bolsonaro é negar a democracia, é escancarar a ditadura no Brasil".
👉 Em junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou Bolsonaro à inelegibilidade até 2030 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
No mês passado, a Primeira Turma do STF decidiu por unanimidade tornar réus o ex-presidente Bolsonaro e mais sete aliados por tentativa de golpe em 2022. Agora, os acusados passarão a responder a um processo penal — que pode levar a condenações com penas de prisão.
Maioria dos brasileiros é contra anistia
Pesquisa Quaest divulgada neste domingo mostra que 56% dos brasileiros são contrários à anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2022, enquanto 34% defendem que o grupo seja solto (ou porque a prisão nem deveria ter ocorrido, ou porque já está preso há tempo demais). O restante (10%) não sabia ou não respondeu.
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, considerou as respostas das 2.004 pessoas entrevistadas, entre 27 e 31/03. O nível de confiabilidade é de 95%, e a margem de erro, de 2 pontos.
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