Litoral

[Vídeo] Turista diz que sofreu três golpes na Praia do Gunga: 'não volto mais'

Ele relatou ter sido coagido a 'comprar' dinheiro a juros altos no local por falta de maquineta ou aceitação de pix

Por 7Segundos 06/01/2026 08h08 - Atualizado em 06/01/2026 09h09
[Vídeo] Turista diz que sofreu três golpes na Praia do Gunga: 'não volto mais'
As gigantes falésias do Gunga, esculpidas em rochas íngremes e com areias de várias cores, são um espetáculo à parte - Foto: Agência Tend Criativa

O aumento de relatos de golpes e práticas abusivas contra turistas em destinos de praia no Nordeste vem ganhando destaque nas últimas semanas, com episódios que envolvem desde agressões físicas até cobranças indevidas e falta de transparência nos preços. Um dos casos mais repercutidos ocorreu em Porto de Galinhas (PE), onde um casal de turistas foi agredido por barraqueiros após questionar a elevação do valor combinado para o uso de cadeiras de praia, episódio que ganhou repercussão nacional e gerou polêmica sobre motivação homofóbica e condutas comerciais predatórias no litoral.

Em Alagoas, turistas que visitam praias como a do Gunga, Barra de São Miguel e a orla de Maragogi também relatam experiências negativas que vão além de preços altos. Entre esses relatos, destacou-se o caso do barbeiro Dan Clais, que esteve na Praia do Gunga, em Roteiro, próximo a Maceió, e descreveu uma sequência de golpes que comprometeram sua experiência de viagem:

“Estávamos em cinco pessoas: dois casais e uma amiga. Fomos ao Gunga, um local ao qual não pretendo retornar e que não recomendaria a ninguém. A experiência foi decepcionante, com três golpes perceptíveis…”.

Segundo Clais, o primeiro golpe ocorreu já na chegada, quando a utilização de cadeiras de praia foi condicionada ao consumo em uma barraca associada, com o valor mínimo de R$ 110,00, prática que, embora comum em alguns pontos, não é regulamentada e pode configurar venda casada ou cobrança abusiva quando imposta sem aviso claro.

O segundo problema relatado envolveu o pagamento de um passeio de quadriciclo: o serviço era cobrado exclusivamente em dinheiro, e a ausência de maquininhas ou opção de Pix colocou o grupo em desvantagem. Um cambista provisório ofereceu a troca de valores a uma taxa considerada abusiva (R$ 240,00 via Pix por R$ 200,00 em espécie), gerando prejuízo financeiro.

Após o passeio, um fotógrafo que ofereceu pacote de fotos por R$ 20,00 não entregou o material após o pagamento via Pix, o que configura potencial golpe de serviço.

Ao final do dia, ao solicitar a porção originalmente combinada para liberar as cadeiras, o grupo foi surpreendido com uma cobrança maior do que o combinado, levando a uma discussão e à necessidade de adquirir itens adicionais para evitar um impasse maior, segundo o relato, em clima de coação por parte dos responsáveis da barraca.

Confira o relato:

Essas situações, segundo Dan Clais, demonstram falta de transparência, práticas comerciais predatórias e risco de prejuízos financeiros para turistas, aspectos que podem desestimular o turismo e impactar negativamente a reputação das praias alagoanas.

Casos como o de Porto de Galinhas destacam um fenômeno mais amplo: a pressão por parte de ambulantes e comerciantes por consumo mínimo, cobrança de serviços de forma opaca e, em situações extremas, violência física quando turistas contestam valores ou práticas. No caso pernambucano, a prefeitura de Ipojuca proibiu expressamente a cobrança de consumação mínima e práticas de venda casada nas barracas de praia após o incidente, com penalidades previstas para quem descumprir as regras.

Especialistas em direito do consumidor ressaltam que turistas têm direitos assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor, incluindo informação clara sobre preços e serviços, oferta e cumprimento de serviços contratados, e proibição de cobrança de taxas não acordadas previamente. Práticas como exigência de consumação mínima, venda casada e não entrega de produtos pagos podem caracterizar cobrança abusiva e estelionato.

Recomendações para turistas

>>> Antes de aceitar serviços (cadeiras, passeios, fotógrafos, etc.), solicite informação clara sobre preço e forma de pagamento;

>>> Prefira estabelecimentos que aceitam métodos eletrônicos, evitando situações de obrigatoriedade de dinheiro em espécie, que facilitam golpes;

>>> Exija comprovantes de pagamento e contratos simples, mesmo para serviços informais;

>>> Ao identificar práticas abusivas, registre fotos ou vídeos e, se necessário, procure órgãos de defesa do consumidor.