Paulo Dantas defende mais 1.200 bolsas da CAPES para o Nordeste
A agenda marca o início de uma articulação institucional do Consórcio para enfrentar o que o governador classificou como “assimetria histórica”
Em sua primeira agenda oficial como presidente do Consórcio Nordeste, o governador de Alagoas, Paulo Dantas, apresentou à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) a proposta de criação até 2028 de 1.200 bolsas adicionais de pós-graduação por ano destinadas à região. O pedido foi formalizado nesta segunda-feira (2), em Brasília, durante reunião com a presidente da CAPES, Denise Pires de Carvalho.
A agenda marca o início de uma articulação institucional do Consórcio para enfrentar o que o governador classificou como “assimetria histórica” na concessão de bolsas entre o Nordeste e o eixo Sul-Sudeste. “A distribuição atual revela uma desigualdade que se perpetua há décadas. O Nordeste tem ampliado seus programas, investido com recursos próprios, mas ainda enfrenta um desequilíbrio estrutural no acesso às bolsas federais”, afirmou Dantas.
Também participaram do encontro o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas; o chefe de Gabinete da instituição, Glauber Piva; e o coordenador da Câmara Temática de Ciência e Fomento ao Conhecimento do Consórcio e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), Fábio Guedes.
Assimetria reconhecida
A presidente da CAPES reconheceu a existência da disparidade regional e afirmou que a redução desse desequilíbrio é prioridade institucional. “Nosso interesse é diminuir essa assimetria histórica. Ela vem se reduzindo dos anos 2000 para cá, mas é preciso fazer mais”, declarou Denise Pires de Carvalho, acrescentando que a CAPES vai desenvolver um trabalho estratégico voltado para o fortalecimento da pós-graduação nas regiões menos contempladas.
Denise também pediu o apoio dos governadores nordestinos para defender a suplementação orçamentária da CAPES no Congresso Nacional. Segundo ela, sucessivos cortes orçamentários têm limitado a capacidade de expansão das bolsas e programas.
Concentração de recursos
Dados apresentados pelo Consórcio indicam que as regiões Sul e Sudeste concentram 66,5% das bolsas da CAPES, enquanto Norte e Nordeste somam 25,4%. Nos editais de excelência, como os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), o eixo Sul-Sudeste reúne 70,6% dos recursos, restando menos de 25% para Norte e Nordeste. A concentração de programas com notas máximas (6 e 7) segue a mesma lógica: 395 no Sul-Sudeste, contra 45 no Nordeste.
Na avaliação dos governadores, o modelo de distribuição, baseado exclusivamente em critérios formais de mérito, acaba por reproduzir desigualdades históricas, uma vez que regiões com maior densidade científica acumulada tendem a concentrar ainda mais recursos.
Esforço dos estados
Fábio Guedes ressaltou que, nos últimos anos, especialmente durante o governo anterior ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve forte retração no investimento federal em pós-graduação. “O investimento federal caiu drasticamente naquele período. Foram os estados que sustentaram o sistema, ampliando o percentual de seus orçamentos destinados a bolsas para evitar o colapso de cursos”, afirmou.
Segundo ele, fundações estaduais do Nordeste destinam percentuais significativamente superiores aos praticados em estados mais ricos. Enquanto a Fapesp, de São Paulo, compromete 12,79% do orçamento com bolsas, fundações como a Fapesb (BA), a Facepe (PE) e a Fapeal (AL) destinam 51,39%, 42,62% e cerca de 40%, respectivamente.
Guedes alertou, contudo, que o crescimento no número de cursos de mestrado e doutorado na região tem gerado nova pressão financeira sobre os estados. “O sucesso da expansão da pós-graduação no Nordeste cria uma demanda adicional por bolsas. Os estados estão preocupados com essa pressão orçamentária. Por isso, é fundamental até 2028 a ampliação das 1.200 bolsas adicionais até 2028”, afirmou.
Propostas estruturantes
Além da ampliação das bolsas, o Consórcio apresentou um conjunto de medidas estruturantes: criação de cotas regionais de desenvolvimento com reserva de 20% a 30% dos recursos em editais de excelência para Norte, Nordeste e Centro-Oeste; implantação do programa “Salto de Qualidade”, voltado a elevar programas com notas 4 e 5 ao patamar 6 e 7; e adoção de mecanismo de cofinanciamento automático (matching funds) entre CAPES e fundações estaduais.
Também foi solicitada a reedição do Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD), hoje restrito a programas com notas 6 e 7, o que exclui grande parte dos cursos nordestinos.
Para o Consórcio, a ampliação das bolsas e a revisão dos critérios de distribuição são medidas estratégicas não apenas para a redução de desigualdades regionais, mas para o desenvolvimento científico e econômico do país.
“O Nordeste quer competir em igualdade de condições. Investir em pós-graduação não é gasto; é política de desenvolvimento”, concluiu Paulo Dantas
Últimas notícias
Prefeitura de Maragogi define reajuste salarial para servidores da Educação e estabelece calendário de pagamento
Aos 35 anos, influenciadora afirma ter orgulho de ainda ser virgem
'Guiana brasileira' volta a viralizar após estreia de Portugal na Copa
Cibele Moura amplia base política e anuncia aliança com Ivana Toledo, em Penedo
Prefeitura recupera estradas e acessos na Serra do Candará, em Palmeira dos Índios
Empresária denuncia desaparecimento de mercadorias após voo de São Paulo para Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Profissionais de saúde são contratados para substituir doentes por covid-19
Prefeitura anuncia inauguração da avenida Senador Benedito de Lira com Raí Saia Rodada
Após demissão de Moro, Bolsonaro fará declaração às 17h
Fernando Barbosa, fundador do tradicional Bar do Caldinho, morre aos 76 anos em Arapiraca
