Urgência ou Emergência? Saiba quando procurar uma UPA em Alagoas
Grande parte dos pacientes assistidos pelas Unidades de Pronto Atendimento deveria procurar assistência nas UBSs municipais
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) chama a atenção da população alagoana para a procura por Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) somente em situações que não possam ser resolvidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O alerta ocorre porque a procura de forma equivocada causa alta demanda, demora no atendimento para quem realmente necessita de assistência de urgência, sobrecarga dos profissionais e insatisfação dos usuários.
De acordo com a enfermeira Sayonara Gomes, superintendente de Estratégias Hospitalares da Sesau, quando a UPA é procurada para situações que fazem parte da Atenção Primária à Saúde (APS), ou seja, poderiam ser tratadas nas UBSs, o fluxo assistencial é comprometido e os casos graves podem enfrentar demora no atendimento, comprometendo o tratamento. Por isso, segundo a profissional, é necessário atentar para o perfil assistencial de cada unidade e verificar se o problema apresentado deve ser tratado em uma UBS ou UPA.
“As UPAs funcionam todos os dias da semana, 24 horas por dia, com foco nos casos de urgência, mas atendem por classificação de risco. Isso significa que pacientes em estado mais grave têm prioridade. Quando há grande volume de casos nas UPAs que poderiam ser resolvidos nas UBSs, o tempo de espera por atendimento aumenta, sobrecarrega a equipe multidisciplinar, compromete a qualidade da assistência e prejudica a todos, mas, principalmente, quem realmente precisa do atendimento prestado por uma Unidade de Pronto Atendimento”, explica a enfermeira da Sesau.
Papel das UBSs: Porta de Entrada do SUS
As Unidades Básicas de Saúde são gerenciadas exclusivamente pelas Secretarias Municipais de Saúde (SMSs) e estão presentes nos 102 municípios alagoanos. Elas representam a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
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Nas UBSs, a população encontra consultas eletivas, atendimento odontológico, pré-natal, vacinação, realização de curativos, distribuição de medicamentos básicos e acompanhamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Elas também asseguram exames preventivos, como o papanicolau, além de testes rápidos para HIV, sífilis e gravidez. As equipes multiprofissionais ainda desenvolvem ações de promoção da saúde, incluindo visitas domiciliares e atividades educativas.
Conforme Sayonara Gomes, a UBS é o local indicado para situações como renovação de receitas, a exemplo daquelas referentes a medicamentos para pacientes psiquiátricos, acompanhamento de doenças crônicas, problemas de saúde com sintomas leves, atualização vacinal e exames de rotina. “E no caso de o paciente necessitar de um atendimento especializado, ele será encaminhado pelo médico clínico”, ressalta a profissional.
Papel das UPAs: Atendimento de Urgência
Já as UPAs atuam como unidades intermediárias entre a Atenção Primária e a Média Complexidade, garantindo atendimento de urgência pré-hospitalar. Elas funcionam todos os dias da semana, 24 horas por dia, com triagem baseada na classificação de risco, ou seja, os casos mais graves recebem assistência preferencial, mesmo que tenham chegado à unidade posteriormente àquelas que apresentam casos menos graves.
Por isso, devem procurar uma UPA, apenas, os pacientes com febre alta acima de 39°C, que estejam apresentando falta de ar intensa, que tenham sofrido cortes profundos e com fraturas sem exposição óssea. Também são considerados pacientes com o perfil assistencial para as Unidades de Pronto Atendimento, àqueles que apresentam crises de asma ou convulsões, entre outras situações que exijam atendimento imediato, como suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).
“Se após o atendimento na UPA o paciente apresentar a necessidade de assistência hospitalar, a equipe irá solicitar uma vaga à Central Estadual de Regulação, que irá procurar a unidade hospitalar que melhor se adeque ao problema de saúde apresentado por ele. Com a vaga disponível, o Serviço de Transporte Sanitário fará a transferência do paciente para o hospital referenciado, até que seja tratado, curado ou receba alta médica para cuidados paliativos, no caso de estar acometido por doença que não tem cura e que pode permanecer aos cuidados dos familiares, no ambiente residencial”, disse Sayonara Gomes.
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