Meio ambiente

Elefante-marinho é importunado por banhista em Paripueira e biólogos alertam para perigo de mordida

Vale lembrar que, além de ser um crime ambiental passível de penalizações para quem praticar a importunação desses animais, existe também o grande risco do indivíduo ser mordido

Por Wanessa Santos 16/03/2026 10h10 - Atualizado em 16/03/2026 12h12
Elefante-marinho é importunado por banhista em Paripueira e biólogos alertam para perigo de mordida
Banhista foi flagrado importunando elefante-marinho que está em processo de descanso em praia alagoanas - Foto: Reprodução / Vídeo

O elefante-marinho que vem sendo monitorado no litoral de Alagoas voltou a chamar atenção neste domingo (15), mas desta vez por um episódio preocupante. Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra um banhista se aproximando e insistindo em interagir com o animal, mesmo diante de sinais claros de que o mamífero não queria contato. 

As imagens, registradas dessa vez na praia de Paripueira, mostram o homem "espantando" o animal com um galho, enquanto um cachorro também se aproxima da área onde o elefante-marinho descansava. O elefante-marinho se mostra estressado com a aproximação do banhista e acaba adentrando ao mar para fugir da interação. A gravação acabou gerando revolta entre ambientalistas e técnicos que acompanham o caso.

De acordo com o presidente do Instituto Biota de Conservação, Bruno Stefany, o comportamento é considerado grave, pois o animal está em um momento de descanso após longas migrações, além de estar em processo de troca de pele e qualquer tipo de aproximação pode causar estresse ou provocar reações perigosas.

Vale lembrar que, além de ser um crime ambiental passível de penalizações para quem praticar a importunação desses animais, existe também o grande risco do indivíduo ser mordido. Embora pareçam lentos e desajeitados em terra, são animais selvagens que podem reagir agressivamente se sentirem-se acuados ou estressados, como demonstrado no vídeo do animal que visita Alagoas.

Foto: Antonio Ripoll

Caso uma pessoa seja mordida ou arranhada pelo elefante-marinho, além do ferimento provocado pela forte mandíbula do animal, há, ainda, o alto de risco de transmissão de doenças. O contato pode transmitir vírus e bactérias que o sistema imunológico humano não consegue combater facilmente.

A mordida de um elefante-marinho é extremamente perigosa e pode ser capaz de causar ferimentos graves, infecções sérias e danos materiais significativos. Com machos pesando até 5 toneladas, sua força física combinada com dentes afiados representa um grande risco para qualquer interação humana ou com equipamentos.

A equipe do instituto informou que já se deslocou até o local juntamente com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para monitorar o elefante-marinho e reforçar o isolamento da área.

Segundo os ambientalistas, o animal aparentemente não apresenta problemas de saúde e permanece na região apenas para repousar antes de retomar sua rota natural pelo oceano.

Penalidades para quem importunar o animal


Especialistas alertam que importunar ou perseguir animais silvestres é considerado infração ambiental no Brasil. O molestamento intencional de espécies da fauna pode resultar em multas e também em responsabilização criminal.

Casos semelhantes já foram registrados em outros estados. Em Santa Catarina, por exemplo, um homem foi multado após perseguir um elefante-marinho que descansava em uma praia. Na ocasião, a penalidade chegou a R$ 5 mil por perseguir o animal e R$ 2,5 mil por molestamento, conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008.

Além das penalidades legais, os especialistas destacam que a aproximação pode colocar em risco tanto o animal quanto as pessoas. Elefantes-marinhos são animais grandes e fortes, capazes de reagir quando se sentem ameaçados.

A orientação das equipes ambientais é que moradores e turistas mantenham distância e evitem qualquer tipo de contato com o animal.

Caso o elefante-marinho seja visto em outras praias do litoral alagoano, a recomendação é acionar imediatamente as equipes do Instituto Biota de Conservação ou órgãos ambientais para que o monitoramento seja realizado de forma segura.

Os técnicos reforçam que a melhor forma de ajudar é respeitar o espaço do animal, permitindo que ele descanse tranquilamente antes de seguir sua jornada natural pelo oceano.