‘Ele me deu um tapa e atirou’, diz vítima durante julgamento de agente do SMTT, em Maceió
Vítima, que era motorista de aplicativo à época, disse que ficou cerca de três meses sem trabalhar
O agente da então Secretria Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), Natan Ivo Tomás da Silva, acusado de tentativa de homicídio no ano de 2022, começou a ser julgado na manhã desta quinta-feira (19), em Maceió. O crime ocorreu no bairro Tabuleiro do Martins, quando a vítima, Rommel Gomes Soares, foi atingida por disparos de arma de fogo após uma discussão com o réu.
A sessão iniciou com o relato da vítima sobre o que teria acontecido no dia do crime. Segundo Rommel, ele se aproximou da equipe para questionar sobre um serviço da Equatorial quando viu o réu dentro de uma viatura da então SMTT, estacionada na via. Ao se abaixar na altura da janela para fazer a pergunta, afirmou ter sido surpreendido com um tapa no rosto, sem que houvesse discussão prévia.
“Como qualquer ser humano, revidei. E ele pegou a arma e já atirou em mim”, relatou a vítima em juízo. Após o disparo, o acusado teria deixado o local rapidamente, acompanhado de outro agente que estava nas proximidades.
Rommel contou ainda que foi socorrido por uma tia, que mora em frente ao local do ocorrido, sendo levado inicialmente para a UPA do Tabuleiro e, em seguida, transferido para o Hospital Geral do Estado (HGE). O projétil atingiu a região do tórax, com saída próxima à axila. Ele afirmou que, no momento, não percebeu a gravidade do ferimento, devido ao sangramento intenso no braço.
A vítima também destacou as consequências após o crime. Motorista de aplicativo à época, disse que ficou cerca de três meses sem trabalhar e que, mesmo após tentar retomar as atividades, sentia dores na região atingida, especialmente ao usar o cinto de segurança.
Durante a audiência, um outro agente que estava com o acusado no momento dos fatos também foi ouvido. Ele relatou que estava de costas quando ouviu o disparo e, em seguida, viu a viatura se aproximando em alta velocidade, com o réu pedindo pressa para deixar o local. Segundo o depoente, só tomou conhecimento do ocorrido após o trajeto até a sede do órgão.
O agente afirmou ainda que, inicialmente, não sabia que havia uma vítima ferida e que soube da situação após receber informações de que uma pessoa baleada havia dado entrada na UPA do Tabuleiro. Ele também declarou não ter conhecimento de que o acusado portava arma de fogo durante o serviço.
Outro declarante ouvido em juízo relatou momentos de tensão no local, mencionando gritos e correria logo após o disparo. Segundo ele, chegou a ser agredido por pessoas envolvidas na situação e afirmou que os envolvidos teriam se dispersado rapidamente após o ocorrido.
O julgamento segue com os depoimentos das demais testemunhas e os debates entre acusação e defesa, conduzidos pelo promotor de Justiça Lucas Schitinni e pelo assistente de acusação Thiago Garcia. Ainda não há previsão para o encerramento da sessão.
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